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quinta-feira, 3 de julho de 2014

A RODA DA FORTUNA: as voltas que a Vida dá

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito sob o céu:
Há tempo de nascer, e tempo de morrer;
Tempo de plantar, e tempo de colher o que se plantou;
Tempo de matar e tempo de curar;
Tempo de derrubar , e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir;
tempo de prantear e tempo de dançar…
Eclesiastes 3:1-4
Há dias que a gente acorda e o nosso mundo parece que deu uma cambalhota. Tudo de pernas para o ar.

Você acabou de comprar, a duras penas, aquele tão sonhado apartamento e já começou a derrubar paredes, trocar pisos, refazer a cozinha e fazer a mágica de encaixar uma Jaccuzzi no banheiro quando lhe telefonam do escritório dizendo que aquela irrecusável vaga de gerente, muito melhor paga do que o que o seu atual salário, está lhe esperando… em outro estado, numa outra cidade!

Tudo bem. Era, mais ou menos, o que você sonhara por muito tempo: a chance de recomeçar em outro lugar, num outro mercado de trabalho, enfrentando novos desafios, podendo com mais conforto, maior segurança, onde seus filhos poderiam desfrutar com mais facilidade e menos riscos da Natureza. Um lugar e uma oportunidade onde você poderia provar-se ainda mais competente e destacar-se com mais facilidade, obtendo assim uma maior rapidez em relação à ascensão profissional.

Tudo exatamente o que você queria. Só que não agora…

É dessas “peças” que o destino nos prega que o Arcano X (10), a RODA DA FORTUNA, representa. De mudanças súbitas e inesperadas. Dos altos e baixos na vida.

A deusa Fortuna (Vortumna, em etrusco) era adorada pelos romanos como aquela que regia os ciclos do ano. As mudanças como as das estações, dos meses, do caminhar do carro de Apolo (o Sol) desde o seu renascimento, todas as manhãs, até a sua morte, ao final do dia, para novamente renascer. Os ciclos naturais da vida: nascimento, crescimento e morte. Mudanças que estão além do nosso controle e que acontecem independentes da nossa vontade. A RODA DA FORTUNA, no tarot (também chamada de Roda das Mudanças, Roda das Reencarnações, Roda das Retribuições, Roda da Vida, etc) é o arquétipo dessa experiência de nos sentirmos, literalmente, ao sabor das marés do destino. Na verdade, de um oceano absolutamente universal.

Saber como lidar com esses imprevistos, essas surpresas, esse movimento, esses novos padrões que nos são impostos é que é a grande arte. Manter uma atitude otimista, encarar como um necessário ponto de mutação, como o fim de um ciclo já explorado e aprendido e a chance de um novo aprendizado através de uma nova etapa, com a disposição de adaptar-se e aceitar o que lhe é oferecido, seria a atitude mais recomendada. Compreender que as lições que aprendemos a cada etapa de nossa existência fazem parte de um conteúdo programático elaborado pelo Universo para que se acelere a nossa evolução para mais elevados planos espirituais é, também, algo que devemos manter em mente.

O que precisamos, talvez, prestar atenção é como lidamos com todas as situações que vivenciamos a cada momento das nossas vidas, conscientes de que há um “efeito boomerang”, ou seja, o que lançamos, acaba retornando. Estarmos atentos às oportunidades que nos são ofertadas todos os dias, dispostos a nos transformar através delas, e percebendo que os eventos que nos acontecem podem ser bons ou maus apenas e simplesmente porque escolhemos vê-los dessa maneira.


Numa tiragem de tarot esse Arcano pode significar: virar uma página do seu livro da vida, começar algo do zero, hora exata de “pegar o bonde” (pode mudar essa expressão tão antiga por metrô, avião, lancha, etc), uma oportunidade que está batendo à sua porta, ou então que as coisas parecem estar girando em círculos e não saindo do mesmo lugar, ou mesmo uma fase intensa de novos amores, sem nenhuma consequência ou interesse mais sério.

O que é importante lembrarmos, em todas as situações, é que as leis Universais são imutáveis, interdependentes, centralizadoras e, portanto, nos harmonizam garantindo a necessária paz mental. Mas também é preciso que saibamos que nossas escolhas pessoais certamente tem um grau de influência nos resultados que vivemos e no controle que exercemos sobre os nossos Destinos. Não somos meros títeres manipulados por forças implacáveis. Somos dotados de personalidades e de livre-arbítrio (se quiserem chamar de consciência, razão ou bom-senso, fiquem à vontade).

Não nos esqueçamos, nunca, de  que tudo no Universo é impermanente e constantemente flui. Que nada é para sempre e que, portanto, não há Bem que sempre dure, nem Mal que nunca acabe. Inteligente é aquele que sabe aproveitar com um coração amoroso e a mente pacificada, as voltas, os altos e baixos, as surpresas boas e más que a Vida nos oferece.

terça-feira, 27 de maio de 2014

6 DE ESPADAS: Travessia


Quantas vezes na vida prometemos a nós mesmos que nunca mais faremos isso ou aquilo, que não somos mais a mesma pessoa de antigamente, que superamos todos os problemas que nos faziam sofrer, que mudamos radicalmente nossa maneira de pensar tendo deixado para trás uma série de atitudes, preconceitos, crenças ou ilusões e que, daqui para frente tudo vai ser diferente? 
E quantas vezes essa promessa se cumpriu, realmente?

A foto acima, com esse carro dourado sobre o qual a escultura de um enorme Cristo crucificado está firmemente amarrada, é tão surreal quanto inspiradora, e não deixa de se assemelhar em conteúdo simbólico, associativo e imagético àquela que estampa o 6 DE ESPADAS.

 No Tarot, a carta mais positiva do naipe de Espadas, além do Ás, é a de número 6. Costumeiramente interpretada como sinal de uma mudança positiva, um abandonar de problemas e dificuldades existentes a nível mental, e a transição para uma nova forma de pensar a vida. É, enfim, um alento e um sopro de alguma esperança num naipe cujas cartas quase sempre prenunciam situações de conflito.

Muitas vezes na vida nós mudamos. Seja de casa, de trabalho, de relacionamento, de país, de religião, de interesses, de grupos de amigos, na vã esperança de, assim procedendo, estarmos nos transformando e modificando situações que nos incomodam. Freqüentemente somos tentados a nos iludir querendo acreditar que as transformações, que sabemos necessárias, ocorrem de fora para dentro. Fica mais fácil assim, não é mesmo? Como se fosse possível erradicar o passado por completo e recomeçar do zero, sem que nenhum traço do que fomos sobrasse para nos lembrar de algo, sem que isso fosse um longo trabalho de reformulação interior. 

O que deixamos para trás sempre é muito significativo e faz parte do nosso processo evolutivo. É a origem do momento presente. São indissolúveis: um é causa, o outro, consequência. Portanto, levamos conosco, onde quer que estivermos, o peso das nossas ações passadas. 

O problema acontece quando alguns não conseguem ver nos erros e desenganos as bases que nos fizeram optar por ações, atitudes e reflexões mais satisfatórias e harmoniosas. São pessoas que não conseguem perdoar a si mesmas e continuam construindo e erguendo, onde quer que estejam, uma cruz onde possam se auto punir, autosacrificar-se. Essas criaturas fazem grandes alterações em suas vidas, mas não alteram seus padrões mentais, o que as impede de evoluírem, não permitindo extraírem uma experiência positiva de qualquer desacerto, de qualquer erro cometido. 

Outras, entretanto, também carregam consigo onde quer que vão as experiências passadas, para delas se utilizarem como um referencial de seu próprio crescimento, em termos de conhecimento, ética, moral. A "cruz" não mais pesa sobre os ombros, dificultando e amargurando a caminhada, mas segue junto ao resto da bagagem, em meio a tudo aquilo que constitui sua história de vida. São as que sabem superar os obstáculos no caminho de um crescimento ético, moral, espiritual.

Então vemos a foto desse carro dourado, representando os nossos mais nobres pensamentos, a transportar sobre seu teto todas as dores e pecados do mundo, porém já redimidos.

Então a viagem torna-se realmente transformadora, pois não deixa para trás nada do que é ou foi importante pois podemos, a qualquer momento, nos utilizarmos dessas boas e más experiências e lições em caso de novas "turbulências" pelo caminho. Funciona como o estepe, o "macaco", a chave de roda e as demais ferramentas em ordem e em boas condições, além da caixa de primeiros socorros à mão. Estamos, então, prontos para fazermos continuarmos nossa viagem pela vida com maior segurança, conhecimento e habilidade.
Resta aproveitar a paisagem e confiar no sucesso da travessia.