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terça-feira, 27 de maio de 2014

6 DE ESPADAS: Travessia


Quantas vezes na vida prometemos a nós mesmos que nunca mais faremos isso ou aquilo, que não somos mais a mesma pessoa de antigamente, que superamos todos os problemas que nos faziam sofrer, que mudamos radicalmente nossa maneira de pensar tendo deixado para trás uma série de atitudes, preconceitos, crenças ou ilusões e que, daqui para frente tudo vai ser diferente? 
E quantas vezes essa promessa se cumpriu, realmente?

A foto acima, com esse carro dourado sobre o qual a escultura de um enorme Cristo crucificado está firmemente amarrada, é tão surreal quanto inspiradora, e não deixa de se assemelhar em conteúdo simbólico, associativo e imagético àquela que estampa o 6 DE ESPADAS.

 No Tarot, a carta mais positiva do naipe de Espadas, além do Ás, é a de número 6. Costumeiramente interpretada como sinal de uma mudança positiva, um abandonar de problemas e dificuldades existentes a nível mental, e a transição para uma nova forma de pensar a vida. É, enfim, um alento e um sopro de alguma esperança num naipe cujas cartas quase sempre prenunciam situações de conflito.

Muitas vezes na vida nós mudamos. Seja de casa, de trabalho, de relacionamento, de país, de religião, de interesses, de grupos de amigos, na vã esperança de, assim procedendo, estarmos nos transformando e modificando situações que nos incomodam. Freqüentemente somos tentados a nos iludir querendo acreditar que as transformações, que sabemos necessárias, ocorrem de fora para dentro. Fica mais fácil assim, não é mesmo? Como se fosse possível erradicar o passado por completo e recomeçar do zero, sem que nenhum traço do que fomos sobrasse para nos lembrar de algo, sem que isso fosse um longo trabalho de reformulação interior. 

O que deixamos para trás sempre é muito significativo e faz parte do nosso processo evolutivo. É a origem do momento presente. São indissolúveis: um é causa, o outro, consequência. Portanto, levamos conosco, onde quer que estivermos, o peso das nossas ações passadas. 

O problema acontece quando alguns não conseguem ver nos erros e desenganos as bases que nos fizeram optar por ações, atitudes e reflexões mais satisfatórias e harmoniosas. São pessoas que não conseguem perdoar a si mesmas e continuam construindo e erguendo, onde quer que estejam, uma cruz onde possam se auto punir, autosacrificar-se. Essas criaturas fazem grandes alterações em suas vidas, mas não alteram seus padrões mentais, o que as impede de evoluírem, não permitindo extraírem uma experiência positiva de qualquer desacerto, de qualquer erro cometido. 

Outras, entretanto, também carregam consigo onde quer que vão as experiências passadas, para delas se utilizarem como um referencial de seu próprio crescimento, em termos de conhecimento, ética, moral. A "cruz" não mais pesa sobre os ombros, dificultando e amargurando a caminhada, mas segue junto ao resto da bagagem, em meio a tudo aquilo que constitui sua história de vida. São as que sabem superar os obstáculos no caminho de um crescimento ético, moral, espiritual.

Então vemos a foto desse carro dourado, representando os nossos mais nobres pensamentos, a transportar sobre seu teto todas as dores e pecados do mundo, porém já redimidos.

Então a viagem torna-se realmente transformadora, pois não deixa para trás nada do que é ou foi importante pois podemos, a qualquer momento, nos utilizarmos dessas boas e más experiências e lições em caso de novas "turbulências" pelo caminho. Funciona como o estepe, o "macaco", a chave de roda e as demais ferramentas em ordem e em boas condições, além da caixa de primeiros socorros à mão. Estamos, então, prontos para fazermos continuarmos nossa viagem pela vida com maior segurança, conhecimento e habilidade.
Resta aproveitar a paisagem e confiar no sucesso da travessia.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

8 DE ESPADAS: Enrolado


Encontro um amigo e, quando pergunto como vai, ele responde com um "Enrolado, sabe como é...". Uma amiga me liga desmarcando o almoço combinado para hoje porque está "toda enrolada, com hóspedes em casa, filhos precisando de ajuda para as tarefas escolares, sem cabeça pra nada...". Um amigo de muito tempo, recém separado, liga para contar que está com a situação amorosa novamente "enrolada". Daí então me deparo com a foto acima e começo a rir, sozinho, substituindo mentalmente a figura atada ao novelo pelos meus interlocutores.

Quantas e quantas vezes vivemos situações em que parecemos estar completamente envolvidos por dificuldades em optar, contradições, pequenas ou grandes mentiras, acúmulo de assuntos pendentes, cobranças feitas por esposa, filhos, funcionários, chefes, amigos, clientes, etc? Creio que todos, em algum momento, tenham vivido esse sentimento de dificuldade em encontrar soluções razoáveis para os desafios que enfrentavam. 


O 8 DE ESPADAS é um bom retrato da expressão "estar enrolado", que bem define o grau de envolvimento em que a "vítima" se acha na situação, da maneira como ela se percebe de mãos e pés atados (e isso é outra expressão com o mesmo significado), impedida de retirar a venda da ignorância e da duvida, que a impedem de ver claramente o problema como um todo e suas partes constituintes. Assim sendo, tateia, às escuras, impedida de evoluir e agir. Sem ação, devido às cordas que lhe prendem os braços e as mãos, não há como desembaraçar-se e caminhar para um resultado satisfatório.

Enrolado está o rapaz que vai-se comprometendo cada vez mais com a namorada, fazendo-lhe promessas e, ao mesmo tempo, mortificado em ter que abandonar a tal liberdade da vida de solteiro. Enrolada está a pessoa que inventa mentiras "inocentes" para justificar erros que, ela bem sabe, estão sendo descobertos. Enrolado está aquele que comprometeu seu salário, economias e bom-senso gastando mais do que tinha condições, apenas contando com um golpe de sorte, um milagre que o salve. Enrolados nos sentimos, todos, quando perdemos a coragem, quando criamos fantasias mórbidas que nos fazem frágeis e temerosos de tudo e de todos, petrificados de terror diante da vida.


O melhor de tudo é reconhecer que essa situação não nos foi imposta, mas criadas por nós mesmos. Portanto o fio da meada que nos enrola está em nossas mãos, ou melhor, em nosso plano racional. Basta que deixemos o pânico de lado, olhemos a situação criteriosamente, da maneira mais objetiva e analítica possível, recuperemos a razão e o equilíbrio, e reorganizemos estratégias e ações efetivas que nos libertem da teia de enganos, fantasias e confusões que criamos.
Assim, "desenrolados", poderemos corajosamente enfrentar e resolver, com precisão, as pendências e evoluirmos, em busca de melhores dias.


(Obs.: Em algumas regiões deste país, o termo "agarrado" traduz perfeitamente o "enrolado". É a mesma coisa: estar preso dentro de uma situação provocada, na maioria das vezes, por si mesmo.)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

7 DE ESPADAS: O TIRO PELA CULATRA


Uma conhecida companhia italiana produtora de máquinas para fazer café expresso, destaca-se pela qualidade e criatividade das suas campanhas publicitárias. Há algum tempo lançaram uma em que associavam seus produtos aos heróis das histórias em quadrinhos. A ilustração acima, tirada de uma das suas publicidades, traz a Mulher-Gato, das histórias do Batman, surpreendida por um... gato! E, pela atitude de ambos, a surpresa, além de naturalmente inesperada, é bastante ameaçadora.

Ela, que certamente havia invadido o território do felino, busca esconder-se, até encontrar uma saída para a situação, usando uma xícara de fumegante café como escudo. O gato verdadeiro, por sua vez, tem como vantagem o tamanho e o fato de ter conseguido surpreender a presa antes que ela o percebesse e fugisse.

A situação toda transpira à tensão, constrangimento, expectativa, argúcia e espanto. A Mulher-Gato parece sobressaltada com a presença do animal. Ele, por sua vez, mantém a postura de ataque, o olhar concentrado e quase hipnótico e uma falsa serenidade, tão própria de quem está acostumado a caçar, utilizando-se de armadilhas e estratégias para conseguir seu intento.

No tarot, o 7 DE ESPADAS pintado pela ilustradora inglesa Pamela Smith remete ao mesmo conceito imagético que a imagem acima pretende retratar: um indivíduo bastante estranho, com uma atitude ladina, carrega 5 espadas, removidas, provavelmente, de uma tenda. Sua intenção parece ser a de desarmar o inimigo, entretanto seu plano parece fadado ao insucesso, visto não ter conseguido carregar todas as espadas. Pior é que duas delas, das deixadas para trás, poderá ser usada pelo seu oponente, por aquele que foi tapeado, iludido, roubado, para ferir mortalmente o incompetente ladrão.

O que chama a atenção nas duas imagens que ilustram este texto, e cuja realização as separa por um século, é o fato que, tanto ao ladrão de espadas quanto à Mulher -Gato, faltaram disciplina e planejamento. A atitude de ambos é claramente amadorística, desorganizada, deixando-os desprevenidos, sem um plano-B, sem um contra-ataque preparado. Ambos foram impetuosos e inconsequentes. 
O 7 DE ESPADAS pode simbolizar uma forma de esperteza que costuma resultar num "tiro pela culatra". Ao invés de usar o cérebro (naipe de Espadas) para resolver determinada situação, a pessoa opta pela "lei do menor esforço", agindo intempestivamente, desprogramada, contentando-se com os sofríveis resultados das tentativas, ao invés de investir na solidez e garantia da obtenção da totalidade do produto final. 
A atitude da figura na carta do tarot é bastante suspeita, favorecendo uma imagem de corrupção, de espionagem, mentira, intriga, que pode ser utilizado para justificar a simbologia desse arcano menor. De qualquer forma, fica claro que o sucesso da empreitada é, tão somente, parcial pois ele não consegue se apossar de tudo o que pretendia.

Na fotografia maior, nem mesmo a esperteza, habilidade, e destreza da Mulher-Gato a fazem imune ao plano descuidado que utilizou para surrupiar o que lhe interessava. Ainda que busque ocultar-se atrás da xícara, sua tática não resultou em bons resultados e, muito provavelmente, cairá na armadilha que ela mesma armou.

Num outro ponto de vista, provavelmente o do gato e das pessoas que tiveram suas espadas roubadas, o 7 DE ESPADAS nos lembra a não permitirmos que se obtenham vantagens injustas sobre nós. Alerta para que se cuide daquilo que se possui, de manter-se firme em suas convicções e não fazer aquilo no que não se acredita. 
O que, entretanto, não se deve deixar de considerar e refletir é que a desconfiança e a manutenção de segredos, quando exagerada, pode conduzir muito mais ao isolamento do que à um possível ideal de segurança. Lembre-se: precaver-se não significa tornar-se paranoico.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

CAVALEIRO DE ESPADAS: Salve Jorge!


 É muito fácil associarmos o CAVALEIRO DE ESPADAS, carta da Corte do tarot, à figura daquele aparentemente frágil ser humano que em Pequim, no dia 5 de junho de 1989, em meio aos maiores confrontos e massacres na Praça da Paz Celestial (bom nome para um campo de guerra, não é mesmo? Desculpem-me a ironia...) enfrentou desarmado de qualquer coisa a não ser da firme convicção em um ideal , e fez parar, um comboio de tanques de guerra. Seus motivos? Uma questão de ideologia. Sua personalidade? A de um combativo defensor de suas verdades pessoais. Seu caráter? A de defensor dos fracos, corrigindo as injustiças que oprimem e que possam obstruir a causa que ele acredita e lidera.

Cá estamos, quase no final de março, no dia dedicado a São Jorge, e ei-lo que surge: o nosso bravo, indômito, corajoso, hábil, esperto, ligeiro, analítico, argumentativo, intempestivo CAVALEIRO DE ESPADAS, protegido por sua brilhante armadura, singrando os ares em seu corcel branco, provocando ventanias e furacões em sua passagem. Não seria para menos, pois o elemento deste Arcano Menor é o Ar (Espadas = Ar =Mental) e, como todos os Cavaleiros do Tarot, ele é a forma mais exaltada do elemento que representa. Numa escala entre sopro, brisa, vento e ventania, ele fica mesmo é com os tornados e os furacões, incontrolável e arrasador em sua passagem.

Todos nós, se não o somos, temos parentes, amigos, conhecidos, ou mesmo cruzamos diariamente com pessoas que são fiéis representantes dos muitos aspectos que essa carta simboliza. São sempre pessoas muito analíticas, fiéis às suas crenças, ideais, filosofias e princípios, frias e calculistas em sua forma de pensar, mas de temperamento esquentado, que falam o que pensam e, por isso mesmo podem ser consideradas, por vezes, imprudentes. São excelentes estrategistas, planejando a longo prazo, habilidosos na forma de conduzirem seus interesses e defenderem suas causas. Ótimos amigos, sempre ao nosso lado evitando que soframos qualquer forma de coação e procurando resolver todos os nossos problemas. Mas como inimigos, são inigualáveis: furiosos, julgadores, dominadores, maquiavélicos, verdadeiros guerreiros prontos para derrotar a quem ou ao que se interpor entre eles e suas vontades.

Em situações bastante cotidianas os encontramos entre os executivos, os administradores, os gerentes, os que trabalham no mercado de ações, os analistas econômicos, advogados, promotores, juízes, delegados, detetives, policiais, soldados, técnicos em computação e até mesmo nos editores, ombudsman e críticos de determinadas seções dos jornais e revistas, bem como nos professores de ciências ou matemática. Enfim, em todas as profissões quando a clareza mental, a capacidade de analisar seguindo regras específicas, baseando-se em padrões básicos onde tudo deve ser “o preto no branco”, intelectualmente capaz de identificar o mal e condicionar-se em destruí-lo, se faz necessário.

Evidente podemos, aqui, também mencionar aspectos menos louváveis de tão intrépido Cavaleiro: o fanatismo, a hiperatividade, o fato de, sendo cerebral demais, perder contato com a realidade e, especialmente, com as suas emoções. Em seu descontrole, pode tornar-se um carrasco, distribuindo sentenças mortais a torto e a direito, um revolucionário sem causa, crente numa utopia barata do tipo: “ Se hay gobierno, soy contra!”, na verdade comprometido com nada e completamente errático.

O imaginário popular cultua, especialmente nas religiões afro-brasileiras e, mais especialmente ainda, na cidade do Rio de Janeiro a figura heroica de São Jorge, um cavaleiro que, de acordo com a “Lenda Dourada”, em sua busca de corrigir injustiças e defender os fracos, acabou matando um dragão que aterrorizava uma província da Líbia. Como prêmio ganhou uma grande recompensa e a mão da princesa daquele lugar em casamento e, por conseguinte, metade do reino. São Jorge, fiel aos seus princípios, deu todo o dinheiro ganho para os pobres e nada mais aceitou, seguindo seu caminho em busca de novos embates com o Mal, o qual ele identifica e destrói.

Quando essa carta surge num jogo de tarot serve para avaliarmos se realmente vale o esforço a enorme energia que muitas vezes despendemos em algo que naquele momento nos parece fundamental, imprescindível e digno de todo o nosso empenho, custe o que custar. Se está bem equacionado, analisado em cada uma de suas partes, avaliadas suas consequências e métodos (não vamos “atropelar” nada ou ninguém para conseguirmos o que queremos, não é mesmo?) que pretendemos empregar. Se não estamos encarando os fatos apenas de maneira racional, calculista, abrindo mão da emoção, da intuição. Se estamos sendo pacientes, prestando atenção a tudo o que se desenrola à nossa volta, ainda que mantendo o foco em nosso objetivo, conscientes do perigo que é ignorar ou desprezar quem nos cerca.

E, se depois de todos os aspectos terem sido perfeitamente considerados e julgados, se decidirmos por seguir adiante, com força e destemor, mantendo-nos firmes no que acreditamos, devemos lembrar que a verdadeira coragem não é a força brutal dos heróis vulgares, mas a firme opção que fazemos pela virtude e razão.

E, por via das dúvidas, podemos sempre invocar alguma ajuda externa: "Valei-nos São Jorge"!




quarta-feira, 2 de abril de 2014

9 DE ESPADAS: Pânico


Poucas coisas podem ser piores do que as consequências causadas por fantasias mórbidas. Se há algo que desestabiliza por completo qualquer ser humano é a nossa própria imaginação quando, às vezes, resolve nos pregar peças. O corpo reage imediatamente com descargas seguidas de adrenalina que só fazem aumentar vertiginosamente a ansiedade, a sensação de perigo e morte eminentes. Um pavor irracional e absoluto toma conta do indivíduo, que se sente totalmente desprotegido, à mercê de algo que ele não compreende, não visualiza corretamente e que distorce a realidade. Tontura, sudorese, taquicardia, paralisia momentânea, necessidade de fugir sem saber exatamente do quê ou para onde são alguns dos sintomas mais comuns.

Quando a pessoa acometida desse mal consegue superar a vergonha de confessá-lo e procurar ajuda terapêutica adequada, o processo de cura é mais ou menos rápido, dependendo em quanto essa absoluta e injustificada sensação de insegurança está neuróticamente instalada e sedimentada no sujeito. Síndrome de Pânico costuma ser o nome popular dado a esse conjunto de sintomas motivados por uma alteração química, ou qualquer outro motivo que a ciência e os terapeutas profissionais, justifiquem o desencadear de medos, terrores, angústias totalmente injustificados.
A figura clássica da mulher sentada em sua cama, no meio da noite, com as mãos segurando a cabeça, e com 9 espadas pendendo sobre si, é uma boa ilustração para essa síndrome.

A idéia de isolamento e imobilidade para fugir, de viver às escuras, sem saber quando, onde ou porque será acometida novamente por um surto, tentado, com as mãos, impedir que o cérebro libere imagens aterrorizantes costuma ser bastante bem reproduzida pelos ilustradores das cartas dos diversos tarots existentes no mercado.

Leva algum tempo, e muita ajuda especializada (lembre-se sempre de procurar o parecer de um médico para toda e qualquer questão que envolva sua saúde física ou mental), para o indivíduo acometido por essa condição compreender que seus pensamentos, naqueles momentos de surto, não refletem a realidade e que é um episódio de breve duração, às vezes pouquíssimos minutos. Sabe também que respirar tranqüila e ritmicamente, evitar entrar em desespero tentando o que parece ser impossível, ou seja, relaxar, irá ajudar na brevidade da crise. Mas enquanto ela dura, ainda que sejam alguns intermináveis segundos, é uma experiência aterrorizante.

Mas no Tarot, quando temos escuridão na representação da carta devemos entender que além daqueles limites reina a luz. A luz que revela a verdade, que esclarece os fatos, que elucida os problemas, que elimina as assustadoras sombras e sons ouvidos à noite. O escuro da ignorância, do não saber o que fazer, do não entender o que está acontecendo limita-se exclusivamente àqueles breves momentos do surto, pois a luz existe, basta que a reencontremos.

É preciso aproveitar os momentos mais iluminados para buscar ajuda profissional adequada e, também, conscientizar-se de que nada de concreto, verdadeiro, premonitório ou espiritual existe naqueles terríveis momentos de crise. Que tudo não passa de mera fantasia mórbida e, como toda fantasia, tem data para acabar e não deve e nem pode competir com a verdade, a lógica e a razão.

Observando a imagem da carta do 9 DE ESPADAS que ilustra este comentário, encontramos nela claros sinais desse tipo de tormento mental. O medo incontrolável ao sentir, sem conseguir justificar, que algo de terrível está para acontecer. Que o planeta vai girar fora de sua órbita e estaremos vagando na infindável escuridão espacial, que a água do banho de chuveiro irá nos afogar, que acordaremos completamente desmemoriados sem saber quem somos, que o telefone irá tocar avisando que nossos filhos sofreram um terrível acidente, que sofreremos uma crise durante uma viagem de avião e que correremos até a porta, destravando-a e causando a queda do aparelho...

Soturnos delírios da imaginação. Pânico. A noite mais escura da alma.

O importante, ao receber essa carta numa tiragem de tarot, é saber que ela alerta para algo que não é real e que só existe na nossa imaginação, fruto de uma confusão mental que gera pensamentos sombrios. É preciso lembrar-se que, alternando com a noite virá a claridade e a energia do sol, apagando esses fantasmas, elucidando mistérios e favorecendo as verdadeiras razões do que se esconde entre as sombras.

sexta-feira, 28 de março de 2014

3 DE ESPADAS: a mente sofredora




Diz-se que uma imagem vale mais que mil palavras. Acredito nisso. Penso que qualquer pessoa, de qualquer lugar, ao ver a foto acima faz uma idéia, ainda que vaga, do que se trata.

Todo, digamos, o ambiente da fotografia é hostil: o fundo, a madeira onde o coração está preso, o arame farpado e até a iluminação, que privilegia os tons frios, azulados, concorre para que a imagem, em seu conjunto, tenha essa incômoda estranheza. Só o coração, apesar de tudo, é brilhante em seu vermelho que nos remete à idéia da paixão, do amor intenso, do pulsar pela vida, das emoções em ebulição.

O 3 DE ESPADAS, como a grande maioria das cartas do naipe de Espadas, representa uma forma de sofrimento a nível do racional, do intelectual, das nossas faculdade de pensarmos as situações que vivemos. Esse Arcano Menor, especialmente, nos remete à idéia do quanto nossos pensamentos podem afetar os nossos sentimentos. O quanto uma maneira racional, que necessáriamente não necessita ser correta, adequada ou justa, pode refletir nas emoções que sentimos.

Discussões desnecessárias, quando aproveitamos para magoar os sentimentos alheios, discórdias entre os membros de uma família, situações tolas e ofensas que acabam por desestabilizar um relacionamento são típicas de serem identificadas quando essa carta aparece numa tiragem de tarot. Espadas, por si só, já é um símbolo de dor, de sofrimento, pois afinal é uma arma, um instrumento cortante. E quando verbalizamos (com nossa língua, "afiada como uma espada") pensamentos desarmonizados com a realidade, com a verdade, acabamos por literalmente ferir mortalmente quem é o alvo dos nossos comentários. A pessoa que sofre a agressão, naturalmente, fica emocionalmente instável, amargurada, nutrindo sentimentos que vão desde a autopiedade até de revolta e vingança.

O 3 DE ESPADAS também pode surgir quando estamos simplesmente afastados ou impedidos de estarmos com quem gostaríamos de estar, ou de participar de um momento que nos é especial. Por exemplo: o pai que, por motivo de viagem, de trabalho, etc, não pode estar presente no aniversário, na formatura, etc. do filho. A filha que, em viagem ou morando distante, fica sabendo da morte de um dos pais. Os padrinhos que, impedidos pelo súbito mau tempo ou greve de aeroviários, não conseguem chegar a tempo do casamento dos amigos queridos.

Numericamente falando, o 3 é uma das primeiras cartas na sequência de 10 (do Ás ao 10) de cada naipe dos Arcanos Menores. Isso significa que, apesar da instabilidade que representa, da dor, decepção, amargura, ressentimento que simboliza, ainda há outras 7 cartas a serem percorridas, ou seja, os sentimentos provocados neste ponto são passageiros, não deverão perdurar. Portanto, se numa tiragem de tarot aparecer essa carta, procure evitar confrontos verbais ou escritos, reflita melhor sobre a situação que provoca o conflito, busque ser justo e compreender também a posição do seu antagonista, evite ao máximo situações de estresse e controle seus ímpetos. Assim procedendo, você estará diminuindo a possibilidade de erro e assumindo o controle da situação de forma bastante diplomática, ainda que firme.

E, se o 3 DE ESPADAS for o retrato do sentimento que neste momento você está vivendo, procure não nutri-lo e lembre-se que dias melhores virão.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Premeditação, a sabedoria das cartas do Tarot Egípcio de Kier




Conhecemos uma grande quantidade de jogos oraculares que se utilizam de cartas, lâminas semelhantes às do baralho, e podemos encontrar no comércio uma variedade deles, muitos com o nome de “tarot” ou “tarô”.
Em verdade são considerados Tarots (do italiano “tarrocco”) apenas os jogos compostos pelos 22 Arcanos Maiores e os 56 Arcanos Menores e que obedecem a estrutura simbólica e numérica do Tarot de Marseille (o mais tradicional) ou do Tarot de Waite (uma reinterpretação mais artística e didática dos Arcanos). Os demais oráculos, que não seguem esse padrão, não são “tarots”, mas “baralhos”, “cartas oraculares” e não há nisso nenhum menosprezo ou crítica em relação ao seu uso e eficiência como instrumentos de autoconhecimento e/ou oraculares.


 O “Tarot Egípcio de Kier”, um tarot argentino criado na metade do século passado e que não se enquadra exatamente nos padrões acima mencionados, sendo menos popular devido à complexidade dos seus símbolos e à estrutura dos seus Arcanos Menores, mas muito respeitado pelos tarólogos. Uma das suas cartas, a PREMEDITAÇÃO (nº 52) propõe que analisemos nossas escolhas visando sempre os fins pretendidos. O livre arbítrio, essa capacidade humana em optar, considerando benefícios e perdas e prevendo resultados, é um dos temas mais recorrentes nas leituras taromânticas.
Premeditar é ponderar, considerar alternativas, avaliar as estratégias e imaginar as possíveis consequências. É meditar, no sentido de isolar e focar sobre determinado assunto, avaliando-o racionalmente, observando seus detalhes e julgando sua veracidade ou adequação dentro de uma determinada situação ou processo de obtenção de um resultado pretendido.

É a planificação cuidadosa, astúcia, avaliação e a reflexão sobre os fatores e métodos a serem desenvolvidos e empregados na busca da satisfação pretendida.

Fazemos isso constante e até inconscientemente. Quando escolhemos uma roupa para vestir, se vamos ou não levar um guarda-chuvas, quando decidimos o que comer analisando um cardápio, ao escolhermos que programa de TV assistir ou se vamos ao cinema ou ficamos em casa. Optamos quando planejamos o itinerário da nossa viagem de férias, ou ao escolhermos qual a marca e o modelo de carro a comprar. Fazemos isso ao decidir sobre qual a melhor escola para os nossos filhos, ou se devemos ou não nos tornar sócios de um clube. Tomamos em nossas mãos a decisão de compartilharmos nossas vidas com alguém, de termos filhos e quantos e quais os nomes que daremos a eles, de nos separarmos. Todo o tempo estamos buscando discernir sobre o que é melhor para nós e para quem amamos.

Evidentemente erramos em algumas ocasiões. Talvez porque não tenhamos sido absolutamente racionais, éticos, justos, organizados, objetivos e críticos, honestos conosco, criativamente imaginativos, verdadeiros estrategistas ao analisar todo o processo da escolha.  Precisamos lembrar que não somos máquinas, insensíveis a mil e uma condicionantes tais como época, lugar, cultura, recursos, experiências prévias, idade, meio social, tradições, atividade, etc. Nestes casos só nos resta reconhecermos o erro e aprender com ele. Viver é um aprendizado constante e a nossa evolução espiritual também depende desse nosso esforço em coletarmos experiências, boas e más, e nos superarmos. Se a razão é importante no momento de escolher e definir metas, estratégias e objetivos, devemos considerar que os resultados serão muito mais percebidos pelos nossos sentimentos, nossas emoções. Sentir-se feliz e estar em paz com a nossa consciência, em harmonia com o ambiente que nos cerca e progredindo em nosso desenvolvimento espiritual são sintomas que estamos agindo corretamente na busca e conquista dos nossos objetivos . 

Portanto, quando a Razão parece não resolver o impasse, dê uma chance ao seu Coração. Muito provavelmente você irá acertar.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

2 de Espadas: Paradoxos


A Paz, como a Saúde, muitas vezes só é percebida e valorizada quando a perdemos, e a perdemos por não sermos autênticos ou fiéis às nossas verdades e princípios, desrespeitando a nós mesmos e aos outros sendo parciais no julgamento das situações em que estamos envolvidos ou que somos chamados a auxiliar. Por paradoxal que possa parecer, a Paz é conquistada (ou reconquistada) através de batalhas. Algo tão sonhado e ambicionado por todos, que representa o mais perfeito equilíbrio, a harmonia absoluta, a total empatia, acaba sendo experimentada e  obtida através de lutas, acordos, momentos de trégua, conflitos, indecisões, debates, reconhecimento de  bloqueios, estratégias.

Quando o 2 DE ESPADAS surge numa leitura de tarot, sempre, é claro, dependendo da sua posição no jogo e das cartas que o cercam, pode significar que estamos vivendo um momento de aparente equilíbrio, porém precário por ter sido obtido através da recusa em encararmos de frente, e com os olhos bem abertos, um problema, uma situação. Pode ser algo que nos incomoda mas que, por medo de perdermos nosso status, ou mesmo por comodismo, ou por querermos continuar a fingir para o mundo e para nós mesmos que está tudo bem, evitamos enfrentar e buscar uma solução. A carta acaba sendo um alerta de que, com nossa interferência direta ou não, esse conflito irá acontecer, mais cedo ou mais tarde e ficar colocando “panos quentes” só protela o que já está explodindo. É do tipo: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". A alternativa, então, é reunir forças, equilibrar-se e enfrentar a situação da forma mais racional possível.

Estar em paz consigo mesmo é viver as suas verdades, de forma racional, emocional e intuitivamente equilibradas. É ter opiniões justas, pensadas, adotando-as e expressando-as, porém sempre com flexibilidade de análise para revê-las e repensa-las sempre que se fizer necessário e, também (muito importante!), saber respeitar as dos outros. É adaptar-se às circunstâncias do momento sem deixar de ser fiel a si próprio, não fazendo acordos, tratados e concessões que lhe roubem a dignidade, a autoconfiança, sua integridade e individualidade. Lembre-se que quando 2 mentes se unem num debate pacífico em torno de um problema ou situação, a verdade certamente irá aflorar e uma sábia solução poderá ser encontrada.

Às vezes o 2 DE ESPADAS nos faz compreender que fizemos acordos e tratos temporários, que bastam só por pouco tempo, no intuito de evitar o desencadear de um conflito. Entretanto uma solução que funcione a longo prazo, uma decisão mais durável poderá ser necessária e é sempre possível de ser encontrada. Conciliar nem sempre é a melhor solução sendo necessário que usemos do nosso raciocínio, nosso emocional e nossa intuição para a obtenção de resultados realistas, sólidos, eficazes e definitivos.

O 2 DE ESPADAS também é interpretado no ato de se fazer as pazes consigo mesmo. Reconciliar-se. Saber ser justo com sua própria pessoa, buscando e avaliando suas verdade interiores. Harmonizando-se e reequilibrando as relações com as pessoas e o ambiente que o cerca. Isso às vezes parece tão utópico, não é mesmo? Porém vale tentar. Lembre-se que a verdade pode, como uma espada, muitas vezes ferir, mas ela é libertadora, pois ela expõe à luz o problema, de forma nua e crua.

A melhor forma de vivenciar as energias deste arcano é levando os compromissos assumidos a sério, fazendo acordos que não sejam meros remendos, meros "tapa buracos", encarando os fatos com equilíbrio, imparcialidade, compreensão, mas sempre objetivamente.
Reavalie conflitos, esteja aberto ao diálogo, tenha clareza e flexibilidade mental, e faça as pazes com o mundo. Ele irá, certamente, lhe parecer um lugar mais adequado para se viver.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Rainha de Espadas: justiça, igualdade e honra

 

“A Vós, ingleses, que não tendes nenhum direito sobre este Reino da França, o Rei dos Céus vos ordena e intima por mim, Jeanne la Pucelle: retirai-vos de vossas fortalezas e retornai a vosso país, pois senão vos farei tal mortandade que dela se guardará perpétua memória. Eis o que vos escrevo pela terceira e última vez, e não mais escreverei”.         

         Assinado: Jesus, Maria e Jeanne la Pucelle

O parágrafo acima, claro, objetivo, corajoso, extraído de uma carta pedindo a rendição dos ingleses, foi escrito por Jeanne la Pucelle, Joana D'arc, também conhecida como a “Donzela de Orléans, uma visionária e mística francesa que, vestida em sua armadura, lutou pela liberdade de seu país contra os ingleses, nas mãos dos quais foi, finalmente, queimada como herege. 
Santa Joana D’Arc, é o exemplo da mulher que assume um papel considerado masculino em sua época, defende brava e corajosamente um ideal, tem um componente espiritual altamente desenvolvido e sucumbe vítima da intransigência, da arrogância das instituições, da incompreensão de seus contemporâneos, sem nunca perder a sua fé. Uma arquetípica RAINHA DE ESPADAS.

O elemento Ar, que representa nossas atividades intelectuais, mentais, de raciocínio lógico e temperamento colérico, ou seja, gente de “pavio curto”, é tratado no tarot pelas cartas do naipe de Espadas. As pessoas dos signos ligados ao elemento ar (Aquário, Gêmeos e Libra) são conhecidas pela firmeza de sua vontade e capacidade de decisão. Tem gente que chama a isso de “personalidade forte”. Na verdade, são pessoas bastante decididas, francas, autossuficientes, orgulhosas, corajosas, sempre prontas a ajudarem a resolver os problemas, a defenderem causas próprias e alheias. São muito observadoras e frequentemente intrometem-se na vida alheia, o que pode causar-lhes  reações desagradáveis, ainda que estejam movidas das melhores intenções.

Sarcásticos, conhecidos pela sua rapidez de raciocínio e pelo humor ferino, podem provocar situações de extremo desconforto com suas críticas e comentários jocosos. Nem todo mundo está preparado para a maneira crua e direta que usam em suas observações e discursos. Entretanto, são verdadeiros paladinos da justiça, combatendo sempre a opressão e a miséria que é infligida em seus semelhantes. E aqui podemos fazer uma referência a uma figura clássica de defensor dos pobres e oprimidos: Robin Hood. E pode um homem representar um arquétipo feminino? Claro que sim, desde que ele tenha como característica um forte componente de bondade, sensibilidade, afetuosidade e elegância em seu proceder.

Estava pensando em como descrever esse arcano quando me ocorreu que poderia ser interessante associá-lo a duas figuras muito importantes dentro do sincretismo religioso vivido em nosso país: Iansã e Santa Bárbara. Ambas, grande guerreiras, implacáveis defensoras de seus pontos de vista, não aceitam submissão ou qualquer forma de prisão. Uma,  deusa nos altares dos cultos  afro-brasileiros. A outra, santa nos altares católicos.

    iansã Iansã, também chamada de Oyá, foi uma princesa real na Nigéria, mais especificamente em Irá há aproximadamente 3.500 anos. Foi mulher de seu primo, Xangô, ao lado de quem lutou pela conquista de vários reinos que formaram o império Yorubá. Mais tarde, abandonou-o para defender sua cidade natal, disposta, até mesmo, a enfrentá-lo. Grande conhecedora das fórmulas e práticas mágicas,valente, corajosa e dedicada, conquistou o seu direito ao trono de Oyó.
     De Olorum recebeu a missão de atuar sobre todos os aspectos da natureza através do ventos, que ela manipula conforme a sua necessidade de atuação. Às vezes, em forma de tormentas, provocando uma reciclagem, através de mudanças e destruição. Noutras, espalhando o pólen das flores e as sementes das árvores, com uma cálida brisa, permitindo a sua germinação. É ela também que afasta as nuvens, permitindo que Xangô lance seus raios que rompem os reservatórios de água dos céus, fazendo chover.


Santa Bárbara, a sua versão cristã, foi uma jovem mártir dos primeiros séculos do cristianismo.
Morava em Nicomédia, cidade situada na atual Turquia, cujo pai mantinha-a enclausurada numa torre mandada construir para que ela não se desvirtuasse com os hábitos amorais da sociedade da época. Ainda que lhe apresentasse pretendentes, Bárbara os recusava, o que seu pai interpretou como uma forma de rebeldia por viver tanto tempo isolada. Permitiu-lhe então, que fizesse pequenas incursões à cidade, e foi lá que ela se inteirou da nova fé, chegando a ser batizada.
Tendo sua conversão ao cristianismo sido descoberta, seu pai a entregou às autoridades que a torturaram de todas as formas, amputando-lhe os seios, inclusive. Bárbara nunca renegou sua fé para salvar-se.  Ao final de seu martírio, seu próprio pai degolou-a. Enquanto sua cabeça tombava, ouviu-se um trovão e um raio vindo dos céus fulminou seu pai e seus torturadores. Nesse momento, ela ascendeu aos céus, com sua cabeça novamente junto ao corpo e a espada de seu sacrifício nas mãos. Santa Bárbara é invocada como a protetora contra raios e trovoadas e padroeira dos mineiros, artilheiros, caçadores, arquitetos, bombeiros e dos que trabalham com explosivos e fogos de artifício. 

Essas duas figuras femininas, detentoras de uma força e coragem tipicamente masculinas, são grandes representantes da RAINHA DE ESPADAS, e podem ser vistas, também, como símbolos de otimismo, auto domínio, convicção numa crença, filosofia ou ideal, e uma grande habilidade de avançar em direção de seus objetivos e de fazer justiça.
É isso que, numa leitura de tarot, ao surgir essa Rainha, sempre dependendo da posição dela no esquema do jogo, pode-se interpretar como a necessidade de frieza e imparcialidade de julgamento, de capacidade de raciocínio, de interesse e defesa por uma causa nobre; de organização, estabelecimento de ordem, disciplina e, até mesmo emitir um conselho, uma orientação a quem se fizer necessário.