sábado, 21 de junho de 2014

5 DE PAUS: competir x colaborar


Trabalhar em grupo é, antes de mais nada uma arte, pois é preciso ser criativo, humilde, seguro de si, aberto a novas ideias e oportunidades, diplomata, manipulador, companheiro, produtivo, generoso, participativo, etc, etc.
Ao contrário da (relativa) autonomia que possui aquele que trabalha sozinho, por conta própria, sem necessariamente ter que pedir a colaboração, interagir, prestar contas ou dar satisfações a outros, o trabalho coletivo, especialmente aquele de criação, exige de todos os participantes uma grande dose de autocontrole e de total ausência de preconceito. É necessário (e ideal) que todos os integrantes tenham ideias próprias e estejam prontos a compartilhá-las, defende-las e justifica-las. Mas, é preciso também, que saibam ouvir, compreender e até mesmo aceitar as opiniões dos demais, atentos ao fato que no trabalho grupal o que importa é o resultado, não necessariamente o autor da ideia.

Abandonar o ego, deixar de lado as vaidades, abrir mão do controle total, acatar a rejeição sem deixar intimidar-se, reconhecer que o outro pode ser, e muitas vezes é, capaz de produzir mais e melhor, não sofrer com críticas e recusas, são os grandes desafios enfrentados por todos os que trabalham coletivamente em função de um resultado único. O orgulho, a vaidade e o autoritarismo são os maiores empecilhos para o perfeito funcionamento das equipes. Sobrepujar essas dificuldades e abrir-se para a contribuição livre e espontânea são as qualidades que melhores resultados produzem quando temos que trabalhar ou mesmo discutir com outras pessoas.

A imagem da carta 5 DE PAUS do tarot é costumeiramente reproduzida e entendida como uma batalha, um momento de desgaste, de conflito, de combate. Isso não deixa de ser verdade, pois uma sessão ou reunião de “brainstorming” de um grupo de pessoas criativas é, em verdade, uma arena onde se batalha em defesa de ideias e opiniões, onde tem-se que editar, selecionar aquilo que melhor representa os interesses do grupo. Onde ótimas sugestões são abandonadas em favor de outras, onde o interesse comum sobrepuja o individual.
Isso não significa, necessariamente, que cada um abra mão da sua maneira de pensar ou de suas construções mentais, ou mesmo das suas crenças. O que é preciso entender é que, mesmo sem concordar integralmente com a opinião alheia, precisamos estar receptivos à novas ideias, a novos valores, a novas filosofias, a novas formas de pensar os problemas e suas soluções.  Esse talvez seja o maior e melhor efeito obtido nas relações em que existam  conflitos de ideias e vontades. Ampliar a discussão, alargar os horizontes, buscar outros pontos de vista para o mesmo problema, estimular a criatividade, reaprender a ver e ouvir, considerar alternativas e até mesmo falhas e impossibilidades, são alguns dos reconhecidos benefícios que as discussões proporcionam.

Flexibilidade nas ideias e nas relações interpessoais, desejo de colaboração, consciência crítica e empatia são qualidades indispensáveis na convivência, não só no ambiente do trabalho, mas na família, com os amigos, nas relações do dia a dia. Não significa que tenhamos que nos despir da nossa personalidade no intuito de agradar aos outros, ou que não possamos defender nossas ideias, pontos de vista, opiniões tementes de ferirmos suscetibilidades ou não sermos aceitos ou compreendidos. Ao contrário: o 5 DE PAUS nos remete diretamente à ideia de contribuição, de soma, de agregar para que o resultado pretendido seja sólido, bem resolvido em todas as suas etapas. É a carta do tarot que simboliza que é das diferenças e do debate sobre essas mesmas diferenças que nasce o entendimento. Como dizia o jornalista esportivo norte-americano Howard Cosell:

"A maior vitória na competição é derivada da satisfação interna de saber que você fez o seu melhor e que você obteve o máximo daquilo que você deu."
 


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