quarta-feira, 30 de abril de 2014

O LOUCO: o salto no desconhecido


Um homem flutua, segurando balões de gás, sobre as ruas de uma metrópole. Fantástica imagem! A cidade, em seu desenho retilíneo e preciso, na impessoalidade de suas formas, no movimento constante dos carros que trafegam suas ruas e avenidas transportando seus habitantes, na claridade ainda acinzentada do amanhecer (ou será anoitecer?), na altura ciclópica de seus arranha-céus, parece alheia ao homem que flutua por seu céu.
Quem é, o que faz e pensa e para onde vai esse homem, chapéu na cabeça e maleta na mão? Um anjo disfarçado de executivo? Um inventor maluco? Um novo super-herói? O que motiva alguém a lançar-se nas alturas, confiando apenas numa meia dúzia de balões e ao sabor dos ventos? Quem é esse ... LOUCO?
Sem número, zero ou 22, a carta do LOUCO é aquela que simboliza o Tudo e o Nada a um só tempo. Por paradoxal que pareça, ela é todas as outras 21 cartas dos Arcanos Maiores, e nenhuma delas também. É a sabedoria contida em cada uma das lâminas do tarot, adquiridas através da experiência em viver o significado dos seus símbolos, e, no mesmo momento, ela é a tolice de quem ainda vive desconhecendo essas virtudes e sua importância para a própria evolução. 


Nas cartas encomendadas pelo ocultista Waite à artista plástica Pamela Smith, essa figura é de um jovem dinâmico, de largos passos, vestido com uma túnica verde florida (a lembrar o Homem Verde, comum em outras mitologias), um chapéu decorado com uma pena que aponta para o céu, e, finalizando, um bastão que prende uma pequena trouxa sobre um ombro e uma rosa branca numa das mãos. O dia ensolarado e a claridade do ar das montanhas, tão afastado de onde os homens vivem, atraem seu olhar para o alto, e, ignorante do fato de que está a um ou dois passos de um precipício, caminha destemido para ele. Como companhia, apenas um cão, que percebendo o que está para acontecer, procura evitar que ele salte no vazio, mordendo-lhe o calcanhar.  Essa é a típica figura da espontaneidade, da despreocupação, da extravagância, da coragem e destemor que só os muito loucos ou os muito sábios possuem. Há que acreditar-se muito e ter uma inabalável fé na proteção divina para intentar algo, aparentemente, tão absurdamente irracional. Mas é exatamente isso que o LOUCO do tarot está por fazer: arriscar-se. Dar um salto mortal, sem rede de proteção.

O LOUCO, na taromancia, sempre foi visto como o rebelde, aquele que se sente desajustado diante de uma situação estabelecida; é a pessoa ou o evento que fogem à norma, ou o ingênuo, o inocente, o inexperiente que ainda tem muito a aprender. Ele costuma ser entendido como alguém despreocupado, sem planos para o futuro, sem compromissos com o passado, sem preocupações com o presente. Alguns lhe enaltecem a personalidade, forte, única, pois confia em si e acredita em tudo o que faz. Outros o vêem como algo misterioso, que não consegue ser explicado racionalmente e que, portanto, ameaça a estabilidade daquilo tudo que consideramos normal, apropriado, natural, evidente, seguro, confortável, fácil, óbvio, legal, verdadeiro, estabelecido, conveniente, etc.


Comparando as duas imagens, o que ressalta é que ambos estão prontos para "caminhar no ar", dar um salto para uma nova fase, um novo tempo, um outro lugar, uma nova forma de pensar, uma nova etapa da vida. A possibilidade de aventura contida nesse gesto, nesse passo rumo ao abismo, nesse flutuar por sobre o mundo como o vemos e compreendemos, é a grande qualidade desse Arcano. Sua mensagem é ser autêntico e, para tanto, não temer infringir convenções, abandonar velhos métodos,

deixar de lado o medo do inesperado, aceitar as surpresas e permitir-se começar algo novo (mesmo que seja novo apenas para si mesmo), que ainda não tenha sido testado.
Se não houver uma dose de infantil ingenuidade (os balões de gás), de pureza de alma e intenções (a rosa branca), de uma sensação de absoluta liberdade (voar pelo céu, estar no alto das montanhas), de não conformismo (a extravagância no voar sobre a cidade, de saltar por sobre o abismo), de busca de novas experiências (a mala e a trouxa são pequenas e muito pouco podem levar daquilo que já conseguiu), se nada disso houver, esse homem ainda não está preparado para se iniciado nos mistérios da vida, que é exatamente o que as demais 22 cartas do tarot revelam. 


O LOUCO é aquele que está aberto a tudo o que o futuro oferece, sem preconceito, sem preocupações, pronto a envolver-se com o inesperado, sentindo-se impelido a lançar-se a grande aventura que é Viver por um chamado de fé e absoluta confiança no Universo, crente que tudo vai dar certo.
E lá segue o homem que voa segurando-se aos balões, flanando pela brisa que envolve a cidade, espírito livre, aproveitando cada inesperada oportunidade, buscando a si mesmo e encontrando-se em cada novo aprendizado, em cada nova experiência.

terça-feira, 29 de abril de 2014

A JUSTIÇA: uma questão de equilíbrio.


Quando pensamos em JUSTIÇA é quase impossível não a associarmos à ideia de crime e castigo, erro e punição, causa e efeito, aqui se faz e aqui se paga. E ela é tudo isso, e muito mais. É, sobretudo, a ideia de equilibrarmos os prós e os contras; de vermos, isentos de tendências, os dois lados de uma mesma questão; de investigarmos o que há por trás das ações cometidas e que as justifiquem. A Justiça, chamada “dos homens”, essa que tem tribunais, acusadores, defensores, juízes e testemunhas, é a física. Existe uma outra, espiritual, que faz parte da nossa alma, que regula as nossas atividades psíquicas, que nos equilibra interiormente, e é essa que, mais frequentemente, o Arcano VIII do tarot, simboliza.

Agora, um pouco da história, da lenda, do mito dessa senhora, a JUSTIÇA:


Métis engravidou de Zeus, mas o Oráculo predisse que essa criança iria ser mais poderosa do que ele. Para evitar esse confronto, ele Zeus engoliu Métis, fazendo com que a gestação ocorresse dentro dele, mais especificamente em sua cabeça. Chegado o momento do parto e sentindo fortíssimas dores na fronte, ele pede a Hefestos (Vulcano), o ferreiro divino, que lhe abra a fronte com um machado. Isso feito, de dentro da cabeça de Zeus surge adulta, altiva e armada, Palas Athena (Minerva). A jovem pede ao pai que lhe permita permanecer virgem (palas) para sempre, pois só assim, longe das paixões, não se corromperia ou deixar-se-ia seduzir e perder a sua lógica, a sua razão. Essa deusa é um símbolo do combate pelo amor à verdade. 
Athena (Minerva) era irmã do solar Apolo, deus da harmonia em cujo templo, lia-se à entrada: “Conhece-te a ti mesmo”. O que isso significa? Que é necessário que reconheçamos nossas verdades, saibamos quem somos realmente e coloquemos às claras as nossas verdadeiras intenções. Devemos nos desmascarar frente a nós mesmos, não tentando encobrir nossos erros e defeitos, ou nossa índole, sob espessa camada de desculpas e justificativas vãs. 

Palas Athena fazia-se acompanhar por uma coruja, ave noturna cuja cabeça gira 360º e os olhos devassam a mais densa escuridão garantindo que todos os detalhes, não importa o quão escondidos ou remotos possam estar, serão vistos, coletados e analisados. Um escudo, com a cabeça da Medusa incrustada, fazia parte do figurino da deusa. Aí também reside uma mensagem pois, diante da Medusa, todos ficavam petrificados. Isso significa que somente aqueles cujas verdadeiras intenções não são motivadas por paixões, tendências ou teimosia, não ficarão paralisados de medo e horror. E, como se todo esse aparato não bastasse, Niké, a deusa alada da vitória, era sua companheira constante, como forma de reafirmar que a verdade sempre triunfa.

Quando a carta da JUSTIÇA surge numa leitura de tarot pode significar que o sujeito deve parar, dar um tempo e analisar friamente a situação antes de prosseguir; situações legais (jurídicas) podem acontecer na vida do consulente; leia e estude detalhadamente documentos, propostas e compromissos que tiver que assinar, dando seu parecer; tempo de ser honesto, responsável e justo; buscar seu centro físico, emocional e espiritual; prudência; procurar trilhar o caminho do meio, afastando-se das extremidades, dos 8 ou 800, dos excessos; é chegada a hora de colher o que foi semeado; justiça divina; tomada de consciência, agir embasado pela consciência; sabedoria; fidelidade no amor e nas amizades.

Estejamos atentos ao fato de que, não importa quem vença a batalha, é ele quem escreverá a história. Toda luta, toda guerra, toda batalha, inclusive as legais são, ao mesmo tempo, uma vitória e um massacre, dependendo apenas do ponto de vista de quem dela participa, de quem a vence e de quem a perde. A JUSTIÇA pode existir à luz de diferentes pontos de vista . O que nos parece injusto num determinado momento e sob uma certa ótica, pode ser assumido como algo bastante justo, com o passar do tempo. O que a carta da JUSTIÇA, no tarot, nos pede é que nos examinemos de forma lógica e bastante objetiva, que encontremos, em nós, a verdade e nada mais que a verdade, mesmo que a isso esteja condicionado o fato de termos de reconhecer que erramos e devemos corrigir o que fizemos.
Devemos assumir as nossas responsabilidades, perdoarmos as nossas fraquezas frente ao nosso próprio tribunal, e nos disciplinarmos em busca de uma maior harmonia, uma consolidação do nosso equilíbrio mental e espiritual. Que nossas ações e julgamentos sejam sempre feitos com sabedoria e amor, visando a harmonia e a cooperação.



Fica, como tema para uma possível meditação, um pequeno conto sufi:
 

Certo dia, um juiz perguntou ao mestre Nasrudin:- Mestre, no caso de você ter de escolher entre a justiça e o dinheiro, o que você escolheria?

- O dinheiro, é claro - respondeu Nasrudin, sem pestanejar.

- O quê! - disse o juiz - Pois eu escolheria a justiça sem pensar duas vezes, porque a justiça não é fácil de ser encontrada, enquanto o dinheiro, este não é tão raro assim. Podemos encontrá-lo por aí sem grandes dificuldades. Estou sinceramente espantado com a sua opção, Nasrudin. Não o julgava capaz de uma ambição, sendo um mestre!

- Meritíssimo, cada um deseja aquilo que mais lhe falta! - respondeu tranqüilamente o mestre Nasrudin.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

OS AMANTES: escolhas & decisões




Na carta dos AMANTES, 12º Arcano Maior do tarot, entre tantos significados simbólicos que representa, o de escolha, de opção, de livre-arbítrio é um dos mais importantes e instigantes. E para fazermos boas escolhas é necessário que tenhamos experiência, estejamos maduros o suficiente para podermos avaliar, com clareza, os reflexos que toda e qualquer opção que tomamos tem em nosso futuro e nas vidas das pessoas que nos cercam.

É uma carta que demanda um grau de responsabilidade que muitas vezes ainda não adquirimos, através da vida, através dos mecanismos necessários que nos habilitem a fazermos as escolhas corretas. Ainda não conhecemos de cor o caminho para sabermos, com certeza, qual das direções optar, ao chegarmos numa bifurcação. O que fazer em situações como essas? Podemos tomar o caminho da direita e acabarmos nos perdendo, mas conhecendo uma nova região, com uma espetacular paisagem. Ou podemos optar pelo da esquerda e chegarmos ao nosso destino pretendido. Não há garantias.

O mesmo ocorre quando assumimos compromissos. Apaixonar-se por alguém ou por um ideal traz uma série de consequências que nos fazem, muitas vezes inseguros de assumi-las, por não nos considerarmos aptos de cumprirmos com elas e, sobretudo, as assumirmos e nos responsabilizarmos por elas e pelos rumos que possam tomar. É muito importante que percebamos que nessas escolhas nunca estamos completamente sós, envolvendo outras vidas, atrelando o destino de outras pessoas ao nosso.


Tenho um conhecido que foi cartorário durante muitos anos, construindo uma carreira notarial ilibada e um patrimônio bastante considerável. Mas vivia frustrado. Nada lhe agradava e queixava-se que, mesmo com todo o conforto e garantia de uma vida financeiramente segura, ele detestava os serviço que fazia e daria tudo para viver o seu sonho de juventude que era o de ser artista plástico. Solteiro, filho único e vivendo com sua mãe viúva e idosa, num rompante de coragem, devolveu o cargo para o governo, reviu o aluguel dos imóveis que possuía, atualizando-os, abriu uma poupança para a sua mãe, reservou um pouco de dinheiro para si próprio e pois o pé na estrada. Mudou-se para a Europa, onde foi estudar e procurar realizar seu sonho.

Em pouquíssimos anos, a inflação havia consumido com grande parte dos valores poupados, os imóveis estavam novamente com seus aluguéis defasados e precisando de grandes reformas estruturais e, para culminar, o Plano Collor, deixou a ele e à velha mãe com R$50,00 no banco. Ele, cuja tão sonhada carreira como artista plástico não deslanchou, viu-se obrigado a trabalhar em empregos muito mal pagos e sem nenhuma perspectiva, por ser imigrante. Não conseguiu, sequer juntar o dinheiro para voltar ao país. Sua mãe, vivendo em condições muito precárias, aceitou uma oferta enganosa de uma construtora que lhe oferecia dois ou três apartamentos, inclusive um duplex na cobertura, em um novo empreendimento a ser construído em troca dos seus imóveis, inclusive o que ela morava. Escritura assinada e... a construtora estava nas páginas de todos os jornais por ter falido! Nem casa, nem cobertura, nem onde morar. Sim, restava-lhe o direito de apelar na Justiça, mas isso tem custos e ela não tinha como pagá-los. Foi morar na casa de uma ex-empregada, que a acolheu e dela cuidou até a sua morte.

O filho continua morando no exterior, mudando ocasionalmente de cidade ou de país, sempre em trabalhos temporários. Hoje, mais velho e apresentando os desgastes naturais da idade, vive um estado de depressão crônica, lamentando-se pela opção feita no passado, pela forma impetuosa e cega de paixão que conduziu suas escolhas, e pela falta de um olhar mais claro, mais atento, menos tendencioso sobre as possíveis consequências de suas decisões. O remorso o consome e o sentimento de culpa que nutre, especialmente, pela forma que sua mãe viveu seus últimos anos, o atormenta e o mantém preso a uma vida autodestrutiva não se permitindo, ainda que seu arrependimento seja sincero, o necessário perdão.

Há momentos na vida de todos nós que tomamos decisões das quais nos arrependemos. Sempre há riscos a serem considerados e aceitos. O importante é essa aceitação. Estarmos preparados, o melhor possível, para recebermos as alegrias, os benefícios, ou as tristezas e as perdas que nossas escolhas possam resultar.  É necessário que enfrentemos com coragem e determinação essas nossas dificuldades, esses nossos erros, o mal uso do nosso livre-arbítrio, assumindo esses aspectos como parte integrante de nós mesmos. Só assim, sabendo com o que estamos lidando, podemos buscar a nossa harmonização, não permitindo viver sob o jugo de nossas más decisões, mas equilibrando-as com aspectos, atitudes e comportamentos mais positivos da nossa personalidade. Os alquimistas chamavam esse procedimento de solve et coagula, ou seja: analise-se bem, reúna e dissolva tudo o que for menor, negativo, inferior que houver em você, ainda que lhe pareça extremamente doloroso o procedimento; em seguida, tendo as suas forças sido renovadas por essa operação, recomponha-se novamente.

Quando o Arcano XII, os AMANTES, aparece numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua colocação na disposição escolhida e demais cartas que a cercam, além da situação proposta pelo consulente, pode, também, significar vontade ou tendência a comprometer-se; dualidade; contraditório; buscar a complementação de algo; união divina; equilíbrio; discernir; combinar; fazer escolhas; conflitos emocionais; amor e relacionamentos; harmonia, beleza e perfeição; escolher um parceiro, um sócio; ser responsável ou assumir a responsabilidade por algo ou alguém; estar vivendo uma vida dupla; energia sexual ativada; casamento entre opostos; individualidade; gêmeos; ajuda para transpor obstáculos; ter um “caso” fora do relacionamento; todas as formas de amor e de amar; atração mútua; ser fiel a seus princípios; saber o que é bom e o que não funciona para si mesmo, entre muitas outras possibilidades.

Quando numa posição considerada ruim, de obstáculo numa leitura de tarot, este Arcano pode representar indecisão; más escolhas; tentação; ser dispersivo; só se interessar pelos aspectos físicos da relação; infidelidade; adultério; ciúme; controle; ligações perigosas; brigas; triângulo amoroso; divórcio, separação; forte oposição.

Quando a carta dos AMANTES aparece, é um convite para meditarmos sobre quem somos e sobre o que valorizamos em nós mesmos e nos outros. Aproveite para observar e apreciar os contrastes e as diferenças e perceber que tudo existe de forma complementar. Yang e Yin. Não há melhor ou pior. Existem, isto sim, escolhas mais ou menos apropriadas.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

8 DE ESPADAS: as armadilhas da mente


 "Spider - Desafie sua Mente" é o nome de um filme de David Cronemberg e nele, um homem recém saído de uma instituição mental onde viveu desde a infância, pára, por conta própria de tomar a sua medicação e volta, assim, a reviver as lembranças de um terrível passado. A frase que define o enredo é a seguinte: “A pior coisa que pode haver além de perder a sua memória é voltar a encontrá-la.”

Nosso cérebro é onde processamos a realidade que vivemos, as sensações que temos, as emoções que experimentamos. Nossa mente trabalha continuamente colhendo, analisando, classificando informações de todos os tipos, vindas de todos os lugares, absorvidas pelos nossos sentidos. É um verdadeiro supercomputador e, como tal, também pode “travar”. Assim como alguns programas são “pesados” demais para determinadas máquinas, algumas estruturas mentais que criamos são muito difíceis de serem assimiladas ou vividas e acabam por se transformarem num vírus que se instala e dificulta a execução de todos os outros processos mentais.


Como qualquer outro vírus instalado num computador, esse também modifica a estrutura do nosso processador mental, alterando-lhe a capacidade de reconhecer a realidade, de exercer plenamente suas funções. Acabamos, vítimas de seus efeitos, tecendo, pensamento a pensamento, um véu que nos encobre, nublando nosso raciocínio lógico e a nossa capacidade de nos perceber e perceber, também o nosso ambiente, colorindo nossa existência com outros tons, muitas vezes mais sombrios.

Ficamos prisioneiros de uma ideia. Temos delírios de uma falsa realidade. Ficamos obcecados com uma única maneira de encarar os fatos; perdemos o controle nossos pensamentos, que acabam servindo unicamente aos nefandos propósitos desse “vírus”: nos atormentar, nos aprisionar em seus invisíveis e possantes fios. Ficamos, literalmente, imobilizados, com os “pés e mãos atados”, como dizemos popularmente. Além disso, um verdadeiro muro ergue-se rapidamente, impedindo que enxerguemos nada além que suas frias e soturnas paredes. Estamos ilhados, isolados, perdidos, presos dentro da pior das prisões que existe: nós mesmos.

Quando um 8 DE ESPADAS aparece numa leitura de tarot, sempre dependendo de sua localização no jogo e das outras cartas à sua volta, ele pode estar sugerindo que reavaliemos nossas verdades, nossos conceitos e preconceitos; pode estar sinalizando que nos tornamos dependentes da opinião alheia, inábeis de tomarmos nossas próprias decisões, preferindo ser conduzidos a nos conduzir. Pode, eventualmente, indicar um estado de doença que demanda repouso, quietude, isolamento. Em muitos casos, pode ser interpretado como arrogante teimosia, quando não queremos alterar nossa maneira de pensar ou agir, mesmo que ela não sejam racionalmente corretas. Pessoas que se deixam dominar pelo ciúme, ou se deixam fazer prisioneiras dos ciúmes de alguém, também são representadas pelo 8 de Espadas. A censura que infligimos ou sofremos, estão simbolizadas por essa carta.

Enfim, o 8 DE ESPADAS, numa leitura, é um sinal vermelho de que alguma coisa dentro de nós está querendo “travar”. É hora, então, de passar um “antivírus”, ou seja, refletir com calma, analisando cada aspecto isolado da situação e, depois, todo o conjunto de fatos. Ser claro e verdadeiro consigo mesmo. Não se autoiludir. Tirar a venda dos olhos e encarar a realidade à luz da razão. Como no arcano VIII, a JUSTIÇA, usar de frieza e lógicas absolutas para avaliar os fatos, sem cair na armadilha de ser tendencioso, esconder provas ou não querer ouvir testemunhas (opiniões de especialistas ou pessoas de confiança). Enfrentar os fatos pode ser muito doloroso, mas sempre será menos do que viver com medo, angustiado, escondendo-se do mundo ou de nós mesmos. 


Deveríamos sempre nos lembrar que o cérebro deveria ser utilizado para a solução de problemas e não a construção de dificuldades maiores.

ÁS DE OUROS: concretizar idéias



A própria ideia de riqueza é precisamente o significado do ÁS DE OUROS. Ele é o símbolo de todos os aspectos positivos dos aspectos materiais, que estão presentes em nossa vida e na própria energia do Universo. Cada novo dia é um presente da Criação. 


Esta carta representa a semente da prosperidade e dos ganhos materiais – talvez ainda não totalmente manifestos ou percebidos: é um Ás, um começo, um potencial. Um novo momento em que os seus sonhos estão prontos para se realizarem. A compreensão da necessidade de ser prático e entender a dinâmica do mundo natural. Estar tão desenvolvido espiritualmente que lhe permita reconhecer os milagres que a terra nos oferece, constante e abundantemente.



O ÁS DE OUROS indica riqueza e felicidade. A riqueza, todavia, não necessariamente precisa ter um valor monetário, econômico. Todos sabemos que os maiores presentes que a Vida nos oferece não podem ser comprados. Ainda assim, se tudo o que um dia lhe foi importante (vida amorosa ou estabilidade financeira) lhe for roubado, cortado, suprimido, arrasado, e você ainda tiver esperanças em voltar a gozar daqueles mesmos benefícios, prazeres, comodidades e alegrias, o aparecimento de um ÁS DE OUROS é uma promessa de que o que você deseja está a caminho. Pode levar algum tempo, mas vai acontecer, desde que você alimente essa possibilidade, essa semente com a sua dedicação, positivismo, cuidados, proteção, interesse, e trabalho.




Numa leitura de tarot, quase sempre o ÁS DE OUROS surge para indicar prosperidade, fertilidade, generosidade, os frutos do trabalho, prazeres materiais, novas oportunidades de negócios, uma descarga de energia voltada à criação de oportunidades materiais, habilidades manuais, visões criativas ou seja a materialização de ideias, ambição, trabalho, segurança, sucesso, ciência, produtividade, prazer sexual, aquisições de bens móveis e imóveis, presentes, boa sorte, possibilidade de ganhar no jogo (cuidado…), herança, documento, ótima saúde ou a sua recuperação, estabilidade, conforto, prosperidade, satisfação, reconhecimento e sucesso, prêmio merecido através do trabalho intenso, ajuda e dinheiro inesperados, promoção, reprodução e benefícios... ufa! Parece mais do que o suficiente, não é? 
Mas ainda tem mais umas coisinhas tipo o nascimento de um filho, um casamento feliz, a constituição de uma nova família, a mudança para uma nova casa, bairro, cidade, estado ou país, um novo emprego, uma nova posição dentro da empresa, um novo padrão de vida, integridade.




Assuma o trabalho necessário para desenvolvê-la e concretizá-la e realize-o com muito prazer e confiança pois o ÁS DE OUROS pode também indicar que estamos precisando incluir algo novo em nossas vidas. Ao invés de deixarmos as coisas continuarem como estão, esperando que elas melhorem no decorrer do tempo ou que se resolvam por si próprias, essa carta sugere que acrescentemos um novo tempero, um novo ingrediente à mistura. Necessita de ação, e ação física! O que será que poderia ser?

Talvez ingressar num curso de especialização, fazer umas aulas de dança de salão, aprender botânica ou jardinagem, ter aulas particulares de computação gráfica e acabar virando um expert no Photoshop. Ingressar num novo curso de línguas, fazer umas aulas de filosofia, comprar alguns livros novos (e lê-los!). Talvez, mais corriqueiramente, seja o momento certo para rearranjar a mobília, dando uma repaginada no visual da casa; ou fazer uma boa faxina nos armários e doar tudo aquilo que você tem ali acumulado e sem uso. Tirar o velho e abrir espaço para o novo. Isso não é só regra elementar de Feng Shui, mas é agir concretamente no desbloqueio do que possa estar acumulado, estratificado, e obsoleto para o desenvolvimento de novas possibilidades. É exatamente o que esta carta nos diz: você precisa preparar o terreno para que essa semente germine de forma saudável e a seu tempo. Se há algum bloqueio se interpondo entre as suas necessidades, os seus sonhos, é tempo de arregaçar as mangas e tirar esse tronco, essas pedras do caminho.


Finalmente, se há uma mensagem embutida quando um ÁS DE OUROS se apresenta, acredito possa ser a seguinte: use seus talentos, sua energia, suas habilidades, sua vontade para vivenciar as oportunidades na sua vida. Não importa se você está mais preocupado com assuntos materiais ou ideais mais filosóficos: a chave para a conquista de todos os seus tesouros esteve, está e estará sempre junto a você. Seja autoconfiante e aproveite esse imenso presente que o Universo lhe oferece!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

CAVALEIRO DE ESPADAS: Salve Jorge!


 É muito fácil associarmos o CAVALEIRO DE ESPADAS, carta da Corte do tarot, à figura daquele aparentemente frágil ser humano que em Pequim, no dia 5 de junho de 1989, em meio aos maiores confrontos e massacres na Praça da Paz Celestial (bom nome para um campo de guerra, não é mesmo? Desculpem-me a ironia...) enfrentou desarmado de qualquer coisa a não ser da firme convicção em um ideal , e fez parar, um comboio de tanques de guerra. Seus motivos? Uma questão de ideologia. Sua personalidade? A de um combativo defensor de suas verdades pessoais. Seu caráter? A de defensor dos fracos, corrigindo as injustiças que oprimem e que possam obstruir a causa que ele acredita e lidera.

Cá estamos, quase no final de março, no dia dedicado a São Jorge, e ei-lo que surge: o nosso bravo, indômito, corajoso, hábil, esperto, ligeiro, analítico, argumentativo, intempestivo CAVALEIRO DE ESPADAS, protegido por sua brilhante armadura, singrando os ares em seu corcel branco, provocando ventanias e furacões em sua passagem. Não seria para menos, pois o elemento deste Arcano Menor é o Ar (Espadas = Ar =Mental) e, como todos os Cavaleiros do Tarot, ele é a forma mais exaltada do elemento que representa. Numa escala entre sopro, brisa, vento e ventania, ele fica mesmo é com os tornados e os furacões, incontrolável e arrasador em sua passagem.

Todos nós, se não o somos, temos parentes, amigos, conhecidos, ou mesmo cruzamos diariamente com pessoas que são fiéis representantes dos muitos aspectos que essa carta simboliza. São sempre pessoas muito analíticas, fiéis às suas crenças, ideais, filosofias e princípios, frias e calculistas em sua forma de pensar, mas de temperamento esquentado, que falam o que pensam e, por isso mesmo podem ser consideradas, por vezes, imprudentes. São excelentes estrategistas, planejando a longo prazo, habilidosos na forma de conduzirem seus interesses e defenderem suas causas. Ótimos amigos, sempre ao nosso lado evitando que soframos qualquer forma de coação e procurando resolver todos os nossos problemas. Mas como inimigos, são inigualáveis: furiosos, julgadores, dominadores, maquiavélicos, verdadeiros guerreiros prontos para derrotar a quem ou ao que se interpor entre eles e suas vontades.

Em situações bastante cotidianas os encontramos entre os executivos, os administradores, os gerentes, os que trabalham no mercado de ações, os analistas econômicos, advogados, promotores, juízes, delegados, detetives, policiais, soldados, técnicos em computação e até mesmo nos editores, ombudsman e críticos de determinadas seções dos jornais e revistas, bem como nos professores de ciências ou matemática. Enfim, em todas as profissões quando a clareza mental, a capacidade de analisar seguindo regras específicas, baseando-se em padrões básicos onde tudo deve ser “o preto no branco”, intelectualmente capaz de identificar o mal e condicionar-se em destruí-lo, se faz necessário.

Evidente podemos, aqui, também mencionar aspectos menos louváveis de tão intrépido Cavaleiro: o fanatismo, a hiperatividade, o fato de, sendo cerebral demais, perder contato com a realidade e, especialmente, com as suas emoções. Em seu descontrole, pode tornar-se um carrasco, distribuindo sentenças mortais a torto e a direito, um revolucionário sem causa, crente numa utopia barata do tipo: “ Se hay gobierno, soy contra!”, na verdade comprometido com nada e completamente errático.

O imaginário popular cultua, especialmente nas religiões afro-brasileiras e, mais especialmente ainda, na cidade do Rio de Janeiro a figura heroica de São Jorge, um cavaleiro que, de acordo com a “Lenda Dourada”, em sua busca de corrigir injustiças e defender os fracos, acabou matando um dragão que aterrorizava uma província da Líbia. Como prêmio ganhou uma grande recompensa e a mão da princesa daquele lugar em casamento e, por conseguinte, metade do reino. São Jorge, fiel aos seus princípios, deu todo o dinheiro ganho para os pobres e nada mais aceitou, seguindo seu caminho em busca de novos embates com o Mal, o qual ele identifica e destrói.

Quando essa carta surge num jogo de tarot serve para avaliarmos se realmente vale o esforço a enorme energia que muitas vezes despendemos em algo que naquele momento nos parece fundamental, imprescindível e digno de todo o nosso empenho, custe o que custar. Se está bem equacionado, analisado em cada uma de suas partes, avaliadas suas consequências e métodos (não vamos “atropelar” nada ou ninguém para conseguirmos o que queremos, não é mesmo?) que pretendemos empregar. Se não estamos encarando os fatos apenas de maneira racional, calculista, abrindo mão da emoção, da intuição. Se estamos sendo pacientes, prestando atenção a tudo o que se desenrola à nossa volta, ainda que mantendo o foco em nosso objetivo, conscientes do perigo que é ignorar ou desprezar quem nos cerca.

E, se depois de todos os aspectos terem sido perfeitamente considerados e julgados, se decidirmos por seguir adiante, com força e destemor, mantendo-nos firmes no que acreditamos, devemos lembrar que a verdadeira coragem não é a força brutal dos heróis vulgares, mas a firme opção que fazemos pela virtude e razão.

E, por via das dúvidas, podemos sempre invocar alguma ajuda externa: "Valei-nos São Jorge"!




terça-feira, 22 de abril de 2014

A SACERDOTISA: o arquétipo da Mãe




Existem algumas cartas no tarot que desafiam uma definição simplista, algo do tipo “x representa mudança de planos, y sugere renascimento, etc”. O Arcano Maior de número 2 é exatamente uma dessas exceções.
A SACERDOTISA, ou a ALTA SACERDOTISA, ou a PAPISA, é uma das primeiras e mais significativas cartas da sequência de 22 do tarot. Os arquétipos que representa, o do feminino sagrado, da deusa, da mulher em conexão com o divino, da mãe-terra, da sábia, da feiticeira, do depositório dos segredos, da guardiã dos mistérios, todos se combinam num só e tem sua representação pictórica e simbólica na SACERDOTISA. 


Sua figura quase sempre é mostrada como uma mulher envolta em trajes que lhe escondem as formas pois, afinal, ela simboliza o feminino não-corpóreo, a idéia do feminino-gerador, do feminino-mãe. A maioria dos artistas a retratam silenciosamente sentada, com um livro aberto em seu colo, reforçando a idéia que ela é possuidora de todo o conhecimento e que só alcançamos a esse mesmo conhecimento quando a ela nos conectamos. Senta-se entre duas colunas (as mesmas do Templo de Salomão: Boaz e Joachin) como que ocultando o que há além delas. Para adentramos ao espaço sagrado do Templo, para nos dirigirmos ao Santo dos Santos precisamos da sua permissão, necessitamos estudar, aprender e conhecer os Mistérios do Sagrado. Precisamos mergulhar no grande mar que é nosso racional e irmos ao fundo, às profundezas, à morada do conhecimento ancestral, aquele que existe desde o início dos tempos.


Quando sonhamos, quando vamos ao analista, ou mesmo quando meditamos estamos fazendo esse mergulho, estamos entrando em contato com a SACERDOTISA. Sua maneira de comunicar-se é através de sonhos, de flashes de memórias, de intuições, de situações de dejà vu, de insights, de idéias que nos acometem vindas aparentemente do nada. Algumas vezes necessitamos de ajuda especializada para decifrarmos esses “recados” e temos em Freud e Jung os grandes estudiosos dessa linguagem simbólica com a qual o nosso subconsciente “dialoga” conosco.

Em nosso dia a dia reconhecemos pessoas com as características da SACERDOTISA naquelas que são misteriosas, reservadas, moderadas, discretas, responsáveis e sérias até mesmo consideradas antissociais. São as sensíveis, eruditas, extremamente teóricas, nada práticas. Às vezes melancólicas, tem dificuldade de comunicar-se, de expressarem seus sentimentos, mas são muito sábias, espiritualizadas e bastante intuitivas. Arquetipicamente representam a mãe, ou seja, a idéia que a maioria de nós faz do “papel” de mãe.

As encontramos como intérpretes dos deuses do panteão grego nas pitonisas de Delfos; a reencontramos na figura de Maria, mãe de Jesus, silenciosa em seu mister de ser mãe do filho de Deus; estão presentes em todos os tempos como ocultistas, médiuns; são bibliotecárias, arquivistas, pesquisadoras, arqueólogas, historiadoras.

Quando, numa tiragem de tarot essa carta surge poderá estar nos sugerindo usarmos da nossa intuição em nosso benefício; prestarmos atenção aos nossos sonhos, buscando decifrá-los; ouvirmos nossa “voz interior”; nos dedicarmos ao nosso desenvolvimento espiritual; guardarmos segredos que nos são confiados; nos dedicarmos aos estudos e até mesmo sermos mais modestos, mais discretos.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

4 DE OUROS: a necessidade da prática do desapego


Já ouviu crianças brincando e uma delas dizendo: "Tudo meu!"? Pois é, essa é a essência do 4 DE OUROS, uma das cartas entre os Arcanos Menores do tarot e que faz referência ao aspecto material.
A gente vivencia a energia desse arcano quando nos sentimos poderosos, imbatíveis, os donos do mundo! É quando assumimos o nosso lado Imperador em seu melhor sentido: estável, competente, seguro, estruturado. Mas também podemos estar vivendo a sua "sombra": egoísta, prepotente, fechado em si mesmo, cheio de regras e normas pessoais, inseguro e controlador.


Como em quase todas as situações da vida onde o medo de perder o controle da situação ou de ser subtraído em seus bens materiais e emocionais ocorre, pode estar acontecendo um bloqueio de energia. O apego excessivo a qualquer coisa é o grande causador dos obstáculos que impomos ao fluxo dos benefícios que estamos aptos a receber e compartir.

Ter um bom e belo carro, mas que nunca é tirado da garagem por medo de sujá-lo, sofrer algum tipo de acidente, tê-lo roubado não é precaução, mas uma forma de apego da qual, nem mesmo o dono, tira proveito. Vemos isso repetir-se de maneiras bastante corriqueiras em nosso dia a dia, por exemplo quando, mesmo podendo, não nos permitimos ir a um bom restaurante, nos vestirmos com roupas confortáveis e de qualidade, não nos prestarmos a dar atenção e tempo a um amigo ou a um projeto assistencial. E, por favor, note bem: eu escrevi acima "mesmo podendo", isto é, quando os custos desses prazeres não irão interferir ou muito menos abalar a nossa estabilidade ou segurança.



O 4 DE OUROS pode significar que estamos num momento de reavaliar a nossa relação com nossos bens materiais. Que é chegado o momento de aprendermos que dinheiro é apenas algo abstrato, uma representação das coisas que nos dão subsistência ou que proporcionam mais prazer e beleza às nossas vidas. Não é sujo, pecaminoso, vergonhoso tê-lo ou não. O que importa é a maneira como o manipulamos e o valor que nós própios lhe atribuimos. Essa é a essência desta carta.

Como sempre, o caminho do meio é a opção mais recomendada: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Adquirí-lo merecidamente e usá-lo de maneira equilibrada, sem lampejos de prodigalidade ou de sovinice, em benefício próprio e dos outros é uma forma correta de lidar com a sua energia. Gente que tem muito medo de perder (dinheiro, tempo, status, poder, o amor e a atenção alheia, etc) também não prospera, pois não está exercitando criativamente essa energia. Também, por outro lado, aquele que acha que o Mundo vai-se acabar amanhã e que portanto dilapida patrimônios, não se doa a ninguém e a nenhuma causa, não tem ideais, está fadado a um futuro bastante inóspito, pois como diz o ditado: "dinheiro não aceita desaforo".


Quando o 4 DE OUROS sai numa tiragem, dependendo da sua posição, podeservir para nos lembrar que devemos praticar o desapego. Desapegar-se não é de forma alguma renunciar a algo que nos é importante, mas não ser escravo, não ser dependente desse algo.

Desapegar-se é reconhecer a impermanência de tudo o que vive. Nada é eterno e, ao contrário do que os faraós do Antigo Egito acreditavam, não adianta acumular pensando numa vida futura, pós-morte. Nada do que é material nos acompanhará quando este ciclo de existência se findar. 
Portanto, aproveitar e cuidar bem do que nos é materialmente aprazível é uma coisa. Ser doentiamente dependente desses mesmos bens, hipervalorizando a sua presença em nossas vidas, é outra, bem diferente.


Quando o 4 DE OUROS aparece numa leitura de tarot, o melhor conselho seria reavaliar a importância das posses, dos bens materiais em nossa vida e observar se o apego exagerado a um objeto, pessoa ou situação não seria decorrente de uma baixa-estima longamente cultivada. Devemos lembrar que o naipe de Ouros, ao qual essa carta pertence, diz respeito à matéria, ou seja, ao mundo físico, real, palpável e que para dele bem desfrutarmos não podemos nunca deixar a balança pender para um só lado. Há que se buscar a harmonia do Material com os outros 3 aspectos da nossa existência: o Racional, o Emocional e o Espiritual. 
Privilegiar um deles em detrimento dos demais é romper o equilíbrio que nos permite viver em paz, de maneira plena em comunhão com os demais seres que habitam este planeta, usufruindo do bem maior que possuímos: a própria Vida.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Usem Filtro Solar: conselhos para todos os ciclos da vida

  “Conselho (assim como a juventude) a ser provavelmente desperdiçado pelos os jovens” é o título de uma coluna publicada no dia 1º de Junho de 1997, no jornal norte-americano Chicago Tribune, pela jornalista Mary Schmich e que até hoje é um verdadeiro “hino” à consciência pessoal que cada um de nós deveria ter. 

Usando de muito bom humor e de uma metalinguagem, a autora sempre afirmou que, se algum dia fosse convidada a ser oradora ou paraninfo de uma turma de jovens estudantes, essas seriam as palavras que gostaria de dizer:

  Major05 (7)   
 “Dentro de cada indivíduo adulto esconde-se um orador de turma, um paraninfo, morrendo de vontade de se manifestar; algum tipo de “eu-sei-tudo” disposto a dar palpites na vida de jovens que preferiam estar, naquele momento, andando de patins.      Muitos de nós, aliás, nunca seremos convidados a semear nossas palavras de sabedoria em meio a um público de formandos, mas não há nenhuma razão que nos impeça de nos distrairmos escrevendo um “Guia para a Vida dos Graduandos”.
     “Eu encorajo qualquer um, acima de 26 anos, a experimentar fazer isso e agradeço a todos a gentileza de também permitirem que eu o faça. Portanto…

     Senhoras e Senhores, formandos da turma de 1997:

Usem filtro solar 

      
      Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, eu diria:
     ”Usem filtro solar”.
     O uso em longo prazo do filtro solar, foi cientificamente provado. Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência. 


   Major03 (7)   Eu lhe darei esse conselho:

      Desfrute do poder e da beleza da sua juventude.

      Oh, esqueça… Você só vai compreender o poder e a beleza quando já tiverem desaparecido. Mas acredite em mim. Dentro de vinte anos você olhará suas fotos e compreenderá de um jeito que você não pode compreender agora quantas possibilidades se abriram para você e o quão fabuloso você era… 
Você não é tão gordo quanto você imagina. 

   



     Swords09 (7)Não se preocupe com o futuro.
     Ou se preocupe, mas saiba que se preocupar é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida, são aqueles que nunca passaram pela sua mente, tipo aqueles que tomam conta da sua mente às 4 horas da tarde de uma terça-feira ociosa.

     Todos os dias faça alguma coisa que te assuste.  Cante.





Cups04 (7)

     Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável.

     Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação aos seus sentimentos.


     Relaxe.

   



  
Wands05 (7)    Não perca tempo com inveja. Às vezes você ganha, às vezes você perde. A corrida é longa, e no final, tem que contar só com você. 

     Lembre-se dos elogios que você recebe. Esqueça dos insultos.
     (Se você conseguir fazer isso, me diga como…)

     Guarde suas cartas de amor.
     Jogue fora seus velhos extratos bancários.

     Estique-se. 




    Wands01 (7)   
        Não tenha sentimento de culpa por não saber o que você quer fazer da sua vida.
        As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que eu conheço ainda não sabem.


       Tome bastante cálcio. Seja gentil com seus joelhos.
       Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.




    Coins02 (7)
        Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não.  
        Talvez você se divorcie aos 40.
        Talvez você dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento.

        O que você fizer, não se orgulhe, nem se critique demais.
        Todas as suas escolhas tem 50% de chance de dar certo. Como as escolhas de todos os demais.


   


Cups03 (7)   
      Curta seu corpo da maneira que puder.
      Use-o de todas as formas que puder.
      Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensam dele.
      Ele é o maior instrumento que você possuirá.
      Dance. Mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.
      Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga.  Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se sentir feio.




 
   Coins10 (7)      Saiba entender seus pais.
         Você não sabe a falta que você vai sentir deles quando eles forem embora pra valer.
         Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com o passado e aqueles que, no futuro, provavelmente nunca deixarão você na mão.
         Entenda que os amigos vão e vem, mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com muito carinho.
        Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e os obstáculos da vida, porque quanto mais você envelhece, tanto mais precisa das pessoas que te conheceram quando você era jovem.



        



        More em New York  pelo menos uma Swords06 (7)vez.

        Mas mude-se antes que ela te transforme em uma pessoa dura.

        More no Norte da Califórnia pelo menos uma vez.
        Mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole.

        Viaje.




    
 
Cups07 (7)   
     Aceite algumas verdades eternas:

     Os preços vão subir,
     os políticos são mulherengos e
     você também vai envelhecer. 
      E quando você envelhecer, você fantasiará que quando você era jovem:
     os preços eram razoáveis,
     os políticos eram nobres e
     as crianças respeitavam os mais velhos.



   
Coins05 (7)   
     Respeite as pessoas mais velhas.
     Não espere apoio de ninguém.
    Talvez você tenha um fundo de garantia.
     Talvez você tenha um cônjuge rico.
     Mas você nunca sabe quando um ou outro pode desaparecer.

     Não mexa muito em seu cabelo.
     Senão, quando tiver quarenta anos, vai ficar com a aparência de oitenta e cinco.




  

      Cups06 (7) Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos.
 
        Mas seja paciente com elas. 
        Conselho é uma forma de nostalgia.
        Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço muito maior do que realmente vale.

         Mas acredite em mim, quando eu falo do filtro solar.


image
Mary Schmich, 1997

Vídeo original desenvolvido pela DB9DDB, sem legendas e com a interpretação e locução em português de Edu Lima. Música e letra: Baz Luhrmann.
 
Considero esse texto uma grande oportunidade para reflexão e é exatamente por isso que resolvi “trabalhar” um pouquinho encima dele, associando algumas passagens às cartas do Tarot.

 Evidentemente não pretendo ser esse exercício uma forma definitiva de correlações imagéticas das cartas do tarot com o texto, até mesmo porque, entre fazê-lo e postá-lo, dezenas de outras possibilidades cruzaram minha mente.
  
 Aliás, imaginar é a essência do ato interpretativo do Tarot.

sábado, 5 de abril de 2014

JUSTIÇA: Arcano 8 do Tarot



O que é que o homem sentado em frente aos seus investigadores tem a dizer ou a esconder?

Qual é a história desse personagem e por que ele se encontra nessa situação? O que querem saber dele as frias, calculistas, “científicas” figuras que o analisam em minúcias? E o que estará escrito nas folhas do processo dos que o avaliam?

O homem, pela imagem refletida nos espelhos dos microscópios, tem o rosto tenso, nervoso, de quem teme o resultado da sua avaliação. Seus julgadores, por sua vez, tem o olhar impessoal, frio, atento, investigativo, de quem considera unicamente os fatos, de forma analítica, despidos de qualquer paixão ou outro interesse pelo ser humano à sua frente. Aliás, nem mesmo nisso ele se parecem pois seus corpos estão transformados em instrumentos de pesquisa, ampliando os detalhes sob possantes conjuntos de lentes.

Encontramos semelhanças no olhar abstraído dos 3 julgadores com o da figura da JUSTIÇA do tarot. É um olhar que parece não estar concentrado no que se vê, mas ultrapassa a camada mais evidente da realidade, em busca da essência do personagem ou do fato. Pois a Justiça não deve ater-se às aparências, pois as sabemos enganosas, e sim utilizar do seu instrumental (a espada, no caso da carta do tarot, ou as lentes de aumento, no caso da imagem acima) para obter respostas que não permitam equívocos, evasivas, subentendidos, ou mesmo, desculpas.

Imparcialidade tanto no processo investigativo quanto no julgamento é o que essa espada em riste, que a mulher da carta do tarot segura, significa. Ela oferece a mesma condição de análise, o mesmo critério e extensão de julgamento, o mesmo tipo de punição em ambos os lados da lâmina. Não beneficia ou privilegia a nada ou ninguém. Não tem opinião própria, pois baseia-se em fatos, em evidências, em medidas e critérios criados pela sociedade como um todo, a cada época, para regular o convívio social.

Todos os aspectos relacionados à questão são beneficiados com a mesma imparcialidade, representada pelos pratos nivelados da balança, ou, no caso da ilustração acima, pelo número ímpar de “juízes”, todos com as mesmas características e semelhanças. Essa maneira de “ver” a todos sob a mesma ótica, beneficiando-se das mesmas condições, é traduzido pela imagem da JUSTIÇA “cega”, com os olhos vendados, indiferente às diferenças naturais dos seres humanos. Todos são iguais perante a lei, é uma afirmação que justifica a venda sobre os olhos, eliminando a complacência do olhar apaixonado e permitindo que apenas a razão pura prevaleça.

JUSTIÇA é uma virtude e um ideal, mas esses são critérios que sofres alterações constantemente, acompanhando a evolução dos seres que habitam este planeta. Se a idéia do que é justo é algo divino, as leis que a descrevem, regulam e sacramentalizam são criadas por seres em evolução e, portanto, passiveis de cometerem constrangedores enganos em seu nome.

Ainda que esse Arcano Maior possa representar assuntos relacionados com a Justiça dos homens (ações, processos, juízes, advogados, promotores, audiências, causas, pareceres, documentos, etc), ela fala diretamente ao padrão ético e moral de cada indivíduo. É sobre como analisamos, investigamos, tiramos conclusões e aplicamos julgamentos nos fatos e nas pessoas que permeiam nosso dia a dia que essa carta de nº 10 do tarot se relaciona. O quanto somos, ou não, tendenciosos, irresponsáveis, prepotentes, relapsos, venais, cruéis, capazes, justos, rigorosos, sérios, descomprometidos ou éticos ao avaliarmos as nossas ações e, naturalmente, as alheias.

Quando olhamos a imagem do homem sentado, quase acuado, ansiedade estampada no rosto e na postura, frente aos seus inquisidores, também nos leva a pensar que estamos constantemente sendo avaliados em nossa conduta e desempenho. Seja no trabalho, no âmbito familiar, pelas nossas posições políticas, filosóficas ou religiosas, pela nossa conta bancária, pelos nossos talentos ou a falta de alguns deles, onde moramos, como nos vestimos e comportamos, o que ou quem frequentamos e, até mesmo, pela nossa aparência física, há sempre algum tipo de julgamento sendo realizado.

Se a perfeita idéia de Justiça é tão somente um ideal, que possamos dele nos utilizar de forma precisa para que todos possamos viver dignamente, respeitando diferenças e, assim, nunca incorrermos no triste ato de desequilibrar os pratos da balança e, com isso, a harmonia no Universo.