Mostrando postagens com marcador esoterismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador esoterismo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A RODA DA FORTUNA: as voltas que a Vida dá

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito sob o céu:
Há tempo de nascer, e tempo de morrer;
Tempo de plantar, e tempo de colher o que se plantou;
Tempo de matar e tempo de curar;
Tempo de derrubar , e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir;
tempo de prantear e tempo de dançar…
Eclesiastes 3:1-4
Há dias que a gente acorda e o nosso mundo parece que deu uma cambalhota. Tudo de pernas para o ar.

Você acabou de comprar, a duras penas, aquele tão sonhado apartamento e já começou a derrubar paredes, trocar pisos, refazer a cozinha e fazer a mágica de encaixar uma Jaccuzzi no banheiro quando lhe telefonam do escritório dizendo que aquela irrecusável vaga de gerente, muito melhor paga do que o que o seu atual salário, está lhe esperando… em outro estado, numa outra cidade!

Tudo bem. Era, mais ou menos, o que você sonhara por muito tempo: a chance de recomeçar em outro lugar, num outro mercado de trabalho, enfrentando novos desafios, podendo com mais conforto, maior segurança, onde seus filhos poderiam desfrutar com mais facilidade e menos riscos da Natureza. Um lugar e uma oportunidade onde você poderia provar-se ainda mais competente e destacar-se com mais facilidade, obtendo assim uma maior rapidez em relação à ascensão profissional.

Tudo exatamente o que você queria. Só que não agora…

É dessas “peças” que o destino nos prega que o Arcano X (10), a RODA DA FORTUNA, representa. De mudanças súbitas e inesperadas. Dos altos e baixos na vida.

A deusa Fortuna (Vortumna, em etrusco) era adorada pelos romanos como aquela que regia os ciclos do ano. As mudanças como as das estações, dos meses, do caminhar do carro de Apolo (o Sol) desde o seu renascimento, todas as manhãs, até a sua morte, ao final do dia, para novamente renascer. Os ciclos naturais da vida: nascimento, crescimento e morte. Mudanças que estão além do nosso controle e que acontecem independentes da nossa vontade. A RODA DA FORTUNA, no tarot (também chamada de Roda das Mudanças, Roda das Reencarnações, Roda das Retribuições, Roda da Vida, etc) é o arquétipo dessa experiência de nos sentirmos, literalmente, ao sabor das marés do destino. Na verdade, de um oceano absolutamente universal.

Saber como lidar com esses imprevistos, essas surpresas, esse movimento, esses novos padrões que nos são impostos é que é a grande arte. Manter uma atitude otimista, encarar como um necessário ponto de mutação, como o fim de um ciclo já explorado e aprendido e a chance de um novo aprendizado através de uma nova etapa, com a disposição de adaptar-se e aceitar o que lhe é oferecido, seria a atitude mais recomendada. Compreender que as lições que aprendemos a cada etapa de nossa existência fazem parte de um conteúdo programático elaborado pelo Universo para que se acelere a nossa evolução para mais elevados planos espirituais é, também, algo que devemos manter em mente.

O que precisamos, talvez, prestar atenção é como lidamos com todas as situações que vivenciamos a cada momento das nossas vidas, conscientes de que há um “efeito boomerang”, ou seja, o que lançamos, acaba retornando. Estarmos atentos às oportunidades que nos são ofertadas todos os dias, dispostos a nos transformar através delas, e percebendo que os eventos que nos acontecem podem ser bons ou maus apenas e simplesmente porque escolhemos vê-los dessa maneira.


Numa tiragem de tarot esse Arcano pode significar: virar uma página do seu livro da vida, começar algo do zero, hora exata de “pegar o bonde” (pode mudar essa expressão tão antiga por metrô, avião, lancha, etc), uma oportunidade que está batendo à sua porta, ou então que as coisas parecem estar girando em círculos e não saindo do mesmo lugar, ou mesmo uma fase intensa de novos amores, sem nenhuma consequência ou interesse mais sério.

O que é importante lembrarmos, em todas as situações, é que as leis Universais são imutáveis, interdependentes, centralizadoras e, portanto, nos harmonizam garantindo a necessária paz mental. Mas também é preciso que saibamos que nossas escolhas pessoais certamente tem um grau de influência nos resultados que vivemos e no controle que exercemos sobre os nossos Destinos. Não somos meros títeres manipulados por forças implacáveis. Somos dotados de personalidades e de livre-arbítrio (se quiserem chamar de consciência, razão ou bom-senso, fiquem à vontade).

Não nos esqueçamos, nunca, de  que tudo no Universo é impermanente e constantemente flui. Que nada é para sempre e que, portanto, não há Bem que sempre dure, nem Mal que nunca acabe. Inteligente é aquele que sabe aproveitar com um coração amoroso e a mente pacificada, as voltas, os altos e baixos, as surpresas boas e más que a Vida nos oferece.

terça-feira, 10 de junho de 2014

O CARRO: pondo o pé na estrada... da Vida.

 

A imagem acima, além de bastante criativa, é um bom exemplo de como podemos "atualizar", por exemlo, a figura da carta do CARRO, Arcano 7 do Tarot.
O que me atrai nesse conceito que o artista inteligentemente expressou, é a de que somos nós o "veiculo" que vai em busca, que acelera, se atrasa, cujo pneu fura, a bateria descarrega ou a turbina pára de funcionar. Somos nós mesmos os pilotos, motorista, aqueles que fazem a máquina funcionar e que a conduzem por tradicionais e seguras rotas pré-fixadas e, algumas vezes, por estradas estranhas, desafiadoras e desconhecidas, pelo simples prazer em explorá-las.


Quantas vezes, por comodismo ou medo, pegamos carona no carro alheio, permitindo que outros nos conduzam, acomodando-nos à sua velocidade e destino? Quantas vezes nos deixamos ficar indiferentes aos nossos desejos ou objetivos e, de maneira alienada, entregamos nossas vidas nas mãos alheias para que outros decidam por nós como a viagem deve ser feita? E, depois, em quantas outras lacrimosas ocasiões nos arrependemos disso?


Para ser o piloto, motorista, condutor da nossa própria vida também há que se ter habilitação. Também será necessário provar-se capaz de compreender e decodificar os avisos e sinais de alerta nas ruas e estradas, de saber manobrar com destreza, respeitando leis e obedecendo regras. É preciso mostrar-se habilidoso não somente no arrancar com o veículo, mas também nos momentos mais difíceis de estacioná-lo, quando encontramos o espaço que buscávamos e que se ajusta perfeitamente às nossas necessidades. E devemos estar atentos à manutenção da viatura. Cuidar do todo e das partes. Da lataria ao computador de bordo. Saber identificar problemas, usar os equipamentos e recursos disponíveis na caixa de ferramentas e saber onde se encontra o manual do veículo com as necessárias soluções. Não deixar que o CARRO envelheça em sua funcionalidade, ainda que o modelo possa ficar antiquado. Embutir-lhe novas tecnologias para que a segurança de nossas decisões estejam garantidas, favorecendo os nossos planos de viagem.


E, muito importante, é não conduzi-lo sob a influência de nada que possa  nos iludir, desorientar nossa sentido de direção, diminuir nossa autonomia e embaçar nossa visão do caminho (Se beber, não dirija!). Pois é necessário que se entenda que o CARRO e seu motorista são um só, fundidos numa única entidade. Se, para assumirmos o controle da direção é necessário que estejamos suficientemente experimentados, para conduzi-lo em segurança é preciso sabedoria, destreza, auto-confiança e determinação. 

É preciso sentir que é chegado o momento exato de acionar a partida, engatar a marcha e pisar com firmeza e segurança, no acelerador. Ou então, ligar as turbinas e deixar que sua nave percorra as maravilhas do Universo.

E o resto? E depois, o que acontece? Bem, com toda essa preparação e planejamento, a viagem transcorrerá como foi pensada, imaginada, sonhada, sem maiores preocupações.
Esta é a viagem da sua Vida! Aproveite, então, a paisagem!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

8 DE ESPADAS: Enrolado


Encontro um amigo e, quando pergunto como vai, ele responde com um "Enrolado, sabe como é...". Uma amiga me liga desmarcando o almoço combinado para hoje porque está "toda enrolada, com hóspedes em casa, filhos precisando de ajuda para as tarefas escolares, sem cabeça pra nada...". Um amigo de muito tempo, recém separado, liga para contar que está com a situação amorosa novamente "enrolada". Daí então me deparo com a foto acima e começo a rir, sozinho, substituindo mentalmente a figura atada ao novelo pelos meus interlocutores.

Quantas e quantas vezes vivemos situações em que parecemos estar completamente envolvidos por dificuldades em optar, contradições, pequenas ou grandes mentiras, acúmulo de assuntos pendentes, cobranças feitas por esposa, filhos, funcionários, chefes, amigos, clientes, etc? Creio que todos, em algum momento, tenham vivido esse sentimento de dificuldade em encontrar soluções razoáveis para os desafios que enfrentavam. 


O 8 DE ESPADAS é um bom retrato da expressão "estar enrolado", que bem define o grau de envolvimento em que a "vítima" se acha na situação, da maneira como ela se percebe de mãos e pés atados (e isso é outra expressão com o mesmo significado), impedida de retirar a venda da ignorância e da duvida, que a impedem de ver claramente o problema como um todo e suas partes constituintes. Assim sendo, tateia, às escuras, impedida de evoluir e agir. Sem ação, devido às cordas que lhe prendem os braços e as mãos, não há como desembaraçar-se e caminhar para um resultado satisfatório.

Enrolado está o rapaz que vai-se comprometendo cada vez mais com a namorada, fazendo-lhe promessas e, ao mesmo tempo, mortificado em ter que abandonar a tal liberdade da vida de solteiro. Enrolada está a pessoa que inventa mentiras "inocentes" para justificar erros que, ela bem sabe, estão sendo descobertos. Enrolado está aquele que comprometeu seu salário, economias e bom-senso gastando mais do que tinha condições, apenas contando com um golpe de sorte, um milagre que o salve. Enrolados nos sentimos, todos, quando perdemos a coragem, quando criamos fantasias mórbidas que nos fazem frágeis e temerosos de tudo e de todos, petrificados de terror diante da vida.


O melhor de tudo é reconhecer que essa situação não nos foi imposta, mas criadas por nós mesmos. Portanto o fio da meada que nos enrola está em nossas mãos, ou melhor, em nosso plano racional. Basta que deixemos o pânico de lado, olhemos a situação criteriosamente, da maneira mais objetiva e analítica possível, recuperemos a razão e o equilíbrio, e reorganizemos estratégias e ações efetivas que nos libertem da teia de enganos, fantasias e confusões que criamos.
Assim, "desenrolados", poderemos corajosamente enfrentar e resolver, com precisão, as pendências e evoluirmos, em busca de melhores dias.


(Obs.: Em algumas regiões deste país, o termo "agarrado" traduz perfeitamente o "enrolado". É a mesma coisa: estar preso dentro de uma situação provocada, na maioria das vezes, por si mesmo.)

terça-feira, 20 de maio de 2014

4 DE ESPADAS: Trégua, ou, a pausa que regenera




 “A pausa que refresca”. Esse foi um dos mais famosos slogans de uma marca de refrigerante que dominou o mundo através de uma maciça, criativa, popular, e sem data para terminar, campanha publicitária. Enfim, há que se reconhecer que uma simples receita de um “tônico” tenha evoluído para uma das marcas mais valiosas e, como bebida, tenha atingido e agradado a tantos, em todas as regiões do globo que, indiferentes às críticas e advertências de médicos e nutricionistas, continuam a consumi-la.

Mas o que mais chama a atenção na publicidade acima é a frase que a acompanha e justifica a imagem que a ilustra. A dona de casa, entre tantos afazeres domésticos, concede-se alguns momentos de distanciamento de suas obrigações e dedica-se a saborear... o dia, o tempo que passa, as imagens que surgem em sua mente, a satisfação de estar ali, presente, vivendo aquele momento sem expectativas ou ansiedades. É um momento de recuperação, de restauro das energias. Hora de recarregar as baterias. Um intervalo entre uma e outra atividades.

O soldado em sua armadura, deitado sobre a laje fria no interior de um santuário (repare o vitral da janela), imagem do Arcano 4 DE ESPADAS do tarot, também parece estar gozando de uma “pausa refrescante”. Deitado sobre uma espada, mas com outras 3 pendentes sobre si, em muito se assemelha à mulher da figura no alto desta página: dando um tempo entre tarefas a serem cumpridas, lutas a serem travadas, obstáculos a serem vencidos, planos a serem pensados, problemas a serem resolvidos, assuntos a serem discutidos, decisões a serem tomadas. Ele, definitivamente, está "recarregando as baterias".

Ainda que ele não faça uso do estimulante e gaseificado frescor do refrigerante, ele busca o tranquilo e silencioso ambiente do claustro para isolar-se, momentaneamente, e repor as energias que lhe serão necessárias para solucionar todas as pendências. Cada um à sua maneira, encontra uma forma de desestressar-se no transcorrer da execução de suas obrigações e compromissos. Inúmeras vezes nos vemos “bombardeados” com uma sucessão de problemas a serem resolvidos, de atividades a serem cumpridas, e acabamos por resolver tudo às custas de muito esforço e sacrifício, terminando esgotados e sem nenhuma satisfação com todo o processo. Noutras, nos atrapalhamos na execução dos mesmos e não os completamos ou, pior, os realizamos mal, de maneira errônea, devido à impossibilidade de nos concentrarmos num só a cada vez. Em todos os casos, saímos decepcionados e vencidos, com uma sensação de amarga sensação de incapacidade.

Entretanto, o que a carta do 4 DE ESPADAS do tarot simboliza é a busca de uma estabilidade pessoal, de um equilíbrio, de uma harmonia interior. O guerreiro está deitado, perfeitamente apoiado à pedra que o suporta. Sua posição é formal, equilibrada, porém tranquila. A espada que está sob seu corpo pode estar sugerindo que, entre os problemas a serem pensados e resolvidos, alguns já foram solucionados, enquanto que outros aguardam, seu retorno à ativa, para serem avaliados e resolvidos e esses pendem ameaçadoramente sobre a sua cabeça.

Saber o momento de fazer uma trégua na luta diária, consciente que tudo poderá ser melhor esclarecido, analisado e executado se estivermos no melhor do nosso desempenho físico, mental e emocional, é um bom pressuposto para ações vitoriosas.

Há aqueles que preferem parar tudo o que estão fazendo e sairem para uma breve caminhada; outros relaxam por alguns minutos ouvindo música; alguns leem um poema um capítulo de um livro, folheiam uma revista; há quem prefira meditar. Qualquer que seja o método usado, o importante é aproveitar esses momentos para desviar a atenção do assunto em questão e procurar reencontrar o equilíbrio perdido. Para “cabeça quente” nada melhor que uma pausa refrescante, regeneradora. Portanto, se um refrigerante, um suco ou uma água de coco geladinha ajuda... Por que não?

quinta-feira, 15 de maio de 2014

7 DE ESPADAS: O TIRO PELA CULATRA


Uma conhecida companhia italiana produtora de máquinas para fazer café expresso, destaca-se pela qualidade e criatividade das suas campanhas publicitárias. Há algum tempo lançaram uma em que associavam seus produtos aos heróis das histórias em quadrinhos. A ilustração acima, tirada de uma das suas publicidades, traz a Mulher-Gato, das histórias do Batman, surpreendida por um... gato! E, pela atitude de ambos, a surpresa, além de naturalmente inesperada, é bastante ameaçadora.

Ela, que certamente havia invadido o território do felino, busca esconder-se, até encontrar uma saída para a situação, usando uma xícara de fumegante café como escudo. O gato verdadeiro, por sua vez, tem como vantagem o tamanho e o fato de ter conseguido surpreender a presa antes que ela o percebesse e fugisse.

A situação toda transpira à tensão, constrangimento, expectativa, argúcia e espanto. A Mulher-Gato parece sobressaltada com a presença do animal. Ele, por sua vez, mantém a postura de ataque, o olhar concentrado e quase hipnótico e uma falsa serenidade, tão própria de quem está acostumado a caçar, utilizando-se de armadilhas e estratégias para conseguir seu intento.

No tarot, o 7 DE ESPADAS pintado pela ilustradora inglesa Pamela Smith remete ao mesmo conceito imagético que a imagem acima pretende retratar: um indivíduo bastante estranho, com uma atitude ladina, carrega 5 espadas, removidas, provavelmente, de uma tenda. Sua intenção parece ser a de desarmar o inimigo, entretanto seu plano parece fadado ao insucesso, visto não ter conseguido carregar todas as espadas. Pior é que duas delas, das deixadas para trás, poderá ser usada pelo seu oponente, por aquele que foi tapeado, iludido, roubado, para ferir mortalmente o incompetente ladrão.

O que chama a atenção nas duas imagens que ilustram este texto, e cuja realização as separa por um século, é o fato que, tanto ao ladrão de espadas quanto à Mulher -Gato, faltaram disciplina e planejamento. A atitude de ambos é claramente amadorística, desorganizada, deixando-os desprevenidos, sem um plano-B, sem um contra-ataque preparado. Ambos foram impetuosos e inconsequentes. 
O 7 DE ESPADAS pode simbolizar uma forma de esperteza que costuma resultar num "tiro pela culatra". Ao invés de usar o cérebro (naipe de Espadas) para resolver determinada situação, a pessoa opta pela "lei do menor esforço", agindo intempestivamente, desprogramada, contentando-se com os sofríveis resultados das tentativas, ao invés de investir na solidez e garantia da obtenção da totalidade do produto final. 
A atitude da figura na carta do tarot é bastante suspeita, favorecendo uma imagem de corrupção, de espionagem, mentira, intriga, que pode ser utilizado para justificar a simbologia desse arcano menor. De qualquer forma, fica claro que o sucesso da empreitada é, tão somente, parcial pois ele não consegue se apossar de tudo o que pretendia.

Na fotografia maior, nem mesmo a esperteza, habilidade, e destreza da Mulher-Gato a fazem imune ao plano descuidado que utilizou para surrupiar o que lhe interessava. Ainda que busque ocultar-se atrás da xícara, sua tática não resultou em bons resultados e, muito provavelmente, cairá na armadilha que ela mesma armou.

Num outro ponto de vista, provavelmente o do gato e das pessoas que tiveram suas espadas roubadas, o 7 DE ESPADAS nos lembra a não permitirmos que se obtenham vantagens injustas sobre nós. Alerta para que se cuide daquilo que se possui, de manter-se firme em suas convicções e não fazer aquilo no que não se acredita. 
O que, entretanto, não se deve deixar de considerar e refletir é que a desconfiança e a manutenção de segredos, quando exagerada, pode conduzir muito mais ao isolamento do que à um possível ideal de segurança. Lembre-se: precaver-se não significa tornar-se paranoico.

terça-feira, 13 de maio de 2014

10 DE PAUS: Opressão consentida


Tem gente que se testa o tempo todo. Vai acrescentando, uma a uma, mais obrigações às muitas outras que acumula, só para se provar poderosa. É o Complexo de Super-Homem, de quem acredita que tudo pode, como se houvesse uma necessidade intima de provar-se competente, imbatível, indispensável, de ser a única e confiável solução para os problemas de todos os demais.

Costuma justificar-se dizendo que não tem paciência para esperar que os demais cumpram suas respectivas partes, portanto assume toda a responsabilidade sobre o que há para ser feito. Nada o impedirá de perseguir até o fim seus objetivos, nem mesmo o fato de cumpri-los, muitas vezes, de maneira maniqueísta, sem buscar o prazer na execução, mas satisfazendo-se em cumprir o "dever" auto atribuído.



Nesta centenária imagem do 10 DE PAUS um homem semi-curvado atravessa o campo, dirigindo-se à umas edificações, carregando um enorme feixe de galhos. A alusão ao peso e ao desconforto dos pedaços de madeira que lhe impedem a visão do caminho, além da forma desajeitada que os galhos estão arrumados em seus braços, sugerem que, muito provavelmente, teria sido mais sábio ter carregado feixes menores e feito mais viagens, ao invés de sobrecarregar-se tentando fazer tudo de uma só vez.

Esse mesmo espírito é semelhante ao que vemos na foto ao alto, onde o homem está praticamente impedido de dirigir seu carro, soterrado por uma impossível quantidade de caixas. Ele também  demonstra não estar usando o melhor de suas habilidades, nem obtendo algum tipo de satisfação na execução de tão absurda tarefa. Na verdade o seu olhar é de uma pessoa oprimida, sem liberdade de manobrar sua condução. Falta-lhe criatividade e flexibilidade, visão do 
conjunto e consciência da importância das partes.

Do fogo criativo e regenerador do naipe de Paus, só restou a demonstração de força, o cabo-de-guerra que o condutor trava consigo mesmo. "Vou provar que eu sou mais forte do que eles supõem", seu olhar transparece, enquanto que ele se afoga sob o peso dos desafios autoimpostos.

Tolice.

Não é a quantidade de projetos, de ideias, de possibilidades, que definirão a capacidade de alguém, mas a qualidade do resultado e o prazer descoberto e vivido a cada etapa de concretização de cada um dos seus desejos. Fogo é pura paixão incontida, é desejo não domado, é a força vital fluindo e trazendo realização. É liberdade, claridade, luz e calor. Não deveria ser oprimido, aprisionado, limitado, contido.

Os desejos são muitos, as vontades também; o leque de interesses é amplo e as possibilidades, inúmeras. Por que, então, não vive-las uma a uma, experimentando o prazer único que cada uma proporciona em sua realização? Por que, ao invés de buscar alegremente o calor produzido pela fogueira que ilumina a noite escura, importar-se e ocupar-se apenas da tarefa de carregar a madeira?

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A TORRE: uma faxina necessária



Creio ser impossível olhar com absoluta indiferença para essa foto. O indivíduo, decapitado, aguarda, até que tranquilamente, enquanto sua cabeça é literalmente agitada dentro da máquina de lavar roupas. Seu rosto, num ricto de dor e desespero, deixa claro que, ainda que o corpo não demonstre, o que vai pela sua cabeça é perturbador e, sobretudo, que o processo de higienização não é dos mais confortáveis.
Entre outras possibilidades associativas, essa foto, a TORRE, Arcano XVI do Tarot é a que mais se destaca.
Basta olharmos para a maioria das interpretações artísticas desse Arcano para vermos que o raio divino, o relâmpago da consciência, atinge o topo da torre. E, quase sempre, há uma coroa encimando essa construção que se despedaça, do alto, em consequência de um evento alheio ao seu controle ou à sua vontade. Afinal, quem controla os desígnios divinos?
Se fizermos um paralelo entre a figura humana e a TORRE, veremos que sua posição também é ereta, altiva. Destaca-se da paisagem que a cerca e elevando-se, o mais possível em direção aos céus, à morada dos deuses, ao Olimpo, o Éden onde gostaríamos de viver, semideuses que acreditamos ser. Em nossa volúpia pelo poder, em nossa ambição em sermos donos e senhores de tudo e de todos e, até, dos nossos destinos, construímos um ego de desmedidas proporções. Tão fascinados estamos com nossa estatura e o quanto ela nos permitirá alcançar, que chegamos a nos esquecer da base, do terreno em que nos apoiamos, da fragilidade dos elementos em que nos apoiamos para nos destacarmos dos demais.


Como o Dr. Frankenstein, do romance da Mary Shelley, não sabemos, ao final, o que fazer com o Monstro que criamos, remendando pedaços nem sempre compatíveis e, muito menos, harmoniosos. Nos recriamos, numa reles e ridícula imitação do Criador, nos acreditando os novos Prometeus, capazes de insuflarmos uma pretensa nova vida em nossos pequenos corpos.
Nada permanece inteiro se não for construído com cuidado, técnica, atenção ao detalhe e, sobretudo, seguindo um plano bem desenhado e usando material de primeira. Lembram-se da história dos 3 Porquinhos e o Lobo Mau? O único que não teve sua casa destruída pelo sopro do lobo foi aquele que a erigiu com tijolos, madeira, argamassa e telhas. Ou seja, ele não optou por um simples e eventual abrigo, feito às pressas e descuidadamente, como os seus irmãos, que pensaram apenas no imediato, na situação presente. Ele, Prático (esse era o seu nome, e não é por acaso...), sabia que o lobo era mais forte, mais ladino, mais perigoso e que não seria uma única vez que esse embate entre eles se travaria. Construiu, conscientemente, pensando no futuro, na durabilidade, na relação custo-benefício que isso lhe acarretaria a longo prazo. E, portanto, foi o único que venceu as ameaças que, tão inteligentemente, soube enfrentar. 


A TORRE sendo destruída por um fenômeno que vem do mais alto, bem mais alto do que ela, simboliza um momento de verdadeira libertação dos indivíduos que estão emparedados por aquelas paredes, alheios à realidade que os cerca, protegidos apenas por suas fantasiosas pretensões, sua elevada autoestima, seu desconforto em reconhecer-se parte daquilo do qual ele tenta se isolar. A catástrofe o derruba do alto de seu castelo de areia e o obriga a colocar os pés no chão, na realidade.
Adeus delírios de grandeza. Adeus complexo de superioridade. Adeus Monstro feito de retalhos e sem alma. É chegado o momento de se olhar de frente para um espelho e perguntar-se "Quem sou eu, de verdade?"
Difícil? Doloroso? Assustador? Com certeza. Mas necessário. Deve ser o mesmo que a roupa suja, com traços de perfumes caríssimos, restos de alimentos sofisticados, dos elogios recebidos, das grifes que representam o status de seu dono e o suor de festas intermináveis pensaria se possível isso fosse, ao ser colocadas numa máquina de lavar. Mas de lá elas sairão renovadas, livres de todos esses pretensos atributos, novamente colocadas diante das funções que melhor exercem e onde se reconhecem: uma camisa é só uma camisa, e por aí adiante.



Esse homem da foto aguarda essa mesma faxina. 
 Aguarda ter todos os andaimes e muletas que sustentam um indivíduo que não é mais ele, mas um ser irreconhecível, uma verdadeira colagem de falsos atributos e de absurdas fantasias, serem desconstruidos, lavados num processo de limpeza forçado, ao qual talvez tenha se recusado submeter. Muita agitação, muita trituração, muito sabão e água limpa serão necessários para remover as manchas do seu conhecido complexo de inferioridade, do medo que lhe descubram a verdadeira estatura, da sua eterna busca em "ter" porque não sabe "ser.
Mas ao final do processo, ele, "novo em folha", estará pronto para recomeçar. Às vezes do zero. Às vezes, com alguma sabedoria adquirida. Mas, com certeza, irá reerguer-se, aos poucos, procurando evitar repetir os mesmos erros. 

Que desta vez o faça sem querer surpreender, agradar ou humilhar o vizinho, mas para que sua nova estrutura abrigue um indivíduo melhorado: ele mesmo.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

OS AMANTES: escolhas & decisões




Na carta dos AMANTES, 12º Arcano Maior do tarot, entre tantos significados simbólicos que representa, o de escolha, de opção, de livre-arbítrio é um dos mais importantes e instigantes. E para fazermos boas escolhas é necessário que tenhamos experiência, estejamos maduros o suficiente para podermos avaliar, com clareza, os reflexos que toda e qualquer opção que tomamos tem em nosso futuro e nas vidas das pessoas que nos cercam.

É uma carta que demanda um grau de responsabilidade que muitas vezes ainda não adquirimos, através da vida, através dos mecanismos necessários que nos habilitem a fazermos as escolhas corretas. Ainda não conhecemos de cor o caminho para sabermos, com certeza, qual das direções optar, ao chegarmos numa bifurcação. O que fazer em situações como essas? Podemos tomar o caminho da direita e acabarmos nos perdendo, mas conhecendo uma nova região, com uma espetacular paisagem. Ou podemos optar pelo da esquerda e chegarmos ao nosso destino pretendido. Não há garantias.

O mesmo ocorre quando assumimos compromissos. Apaixonar-se por alguém ou por um ideal traz uma série de consequências que nos fazem, muitas vezes inseguros de assumi-las, por não nos considerarmos aptos de cumprirmos com elas e, sobretudo, as assumirmos e nos responsabilizarmos por elas e pelos rumos que possam tomar. É muito importante que percebamos que nessas escolhas nunca estamos completamente sós, envolvendo outras vidas, atrelando o destino de outras pessoas ao nosso.


Tenho um conhecido que foi cartorário durante muitos anos, construindo uma carreira notarial ilibada e um patrimônio bastante considerável. Mas vivia frustrado. Nada lhe agradava e queixava-se que, mesmo com todo o conforto e garantia de uma vida financeiramente segura, ele detestava os serviço que fazia e daria tudo para viver o seu sonho de juventude que era o de ser artista plástico. Solteiro, filho único e vivendo com sua mãe viúva e idosa, num rompante de coragem, devolveu o cargo para o governo, reviu o aluguel dos imóveis que possuía, atualizando-os, abriu uma poupança para a sua mãe, reservou um pouco de dinheiro para si próprio e pois o pé na estrada. Mudou-se para a Europa, onde foi estudar e procurar realizar seu sonho.

Em pouquíssimos anos, a inflação havia consumido com grande parte dos valores poupados, os imóveis estavam novamente com seus aluguéis defasados e precisando de grandes reformas estruturais e, para culminar, o Plano Collor, deixou a ele e à velha mãe com R$50,00 no banco. Ele, cuja tão sonhada carreira como artista plástico não deslanchou, viu-se obrigado a trabalhar em empregos muito mal pagos e sem nenhuma perspectiva, por ser imigrante. Não conseguiu, sequer juntar o dinheiro para voltar ao país. Sua mãe, vivendo em condições muito precárias, aceitou uma oferta enganosa de uma construtora que lhe oferecia dois ou três apartamentos, inclusive um duplex na cobertura, em um novo empreendimento a ser construído em troca dos seus imóveis, inclusive o que ela morava. Escritura assinada e... a construtora estava nas páginas de todos os jornais por ter falido! Nem casa, nem cobertura, nem onde morar. Sim, restava-lhe o direito de apelar na Justiça, mas isso tem custos e ela não tinha como pagá-los. Foi morar na casa de uma ex-empregada, que a acolheu e dela cuidou até a sua morte.

O filho continua morando no exterior, mudando ocasionalmente de cidade ou de país, sempre em trabalhos temporários. Hoje, mais velho e apresentando os desgastes naturais da idade, vive um estado de depressão crônica, lamentando-se pela opção feita no passado, pela forma impetuosa e cega de paixão que conduziu suas escolhas, e pela falta de um olhar mais claro, mais atento, menos tendencioso sobre as possíveis consequências de suas decisões. O remorso o consome e o sentimento de culpa que nutre, especialmente, pela forma que sua mãe viveu seus últimos anos, o atormenta e o mantém preso a uma vida autodestrutiva não se permitindo, ainda que seu arrependimento seja sincero, o necessário perdão.

Há momentos na vida de todos nós que tomamos decisões das quais nos arrependemos. Sempre há riscos a serem considerados e aceitos. O importante é essa aceitação. Estarmos preparados, o melhor possível, para recebermos as alegrias, os benefícios, ou as tristezas e as perdas que nossas escolhas possam resultar.  É necessário que enfrentemos com coragem e determinação essas nossas dificuldades, esses nossos erros, o mal uso do nosso livre-arbítrio, assumindo esses aspectos como parte integrante de nós mesmos. Só assim, sabendo com o que estamos lidando, podemos buscar a nossa harmonização, não permitindo viver sob o jugo de nossas más decisões, mas equilibrando-as com aspectos, atitudes e comportamentos mais positivos da nossa personalidade. Os alquimistas chamavam esse procedimento de solve et coagula, ou seja: analise-se bem, reúna e dissolva tudo o que for menor, negativo, inferior que houver em você, ainda que lhe pareça extremamente doloroso o procedimento; em seguida, tendo as suas forças sido renovadas por essa operação, recomponha-se novamente.

Quando o Arcano XII, os AMANTES, aparece numa leitura de tarot, dependendo sempre da sua colocação na disposição escolhida e demais cartas que a cercam, além da situação proposta pelo consulente, pode, também, significar vontade ou tendência a comprometer-se; dualidade; contraditório; buscar a complementação de algo; união divina; equilíbrio; discernir; combinar; fazer escolhas; conflitos emocionais; amor e relacionamentos; harmonia, beleza e perfeição; escolher um parceiro, um sócio; ser responsável ou assumir a responsabilidade por algo ou alguém; estar vivendo uma vida dupla; energia sexual ativada; casamento entre opostos; individualidade; gêmeos; ajuda para transpor obstáculos; ter um “caso” fora do relacionamento; todas as formas de amor e de amar; atração mútua; ser fiel a seus princípios; saber o que é bom e o que não funciona para si mesmo, entre muitas outras possibilidades.

Quando numa posição considerada ruim, de obstáculo numa leitura de tarot, este Arcano pode representar indecisão; más escolhas; tentação; ser dispersivo; só se interessar pelos aspectos físicos da relação; infidelidade; adultério; ciúme; controle; ligações perigosas; brigas; triângulo amoroso; divórcio, separação; forte oposição.

Quando a carta dos AMANTES aparece, é um convite para meditarmos sobre quem somos e sobre o que valorizamos em nós mesmos e nos outros. Aproveite para observar e apreciar os contrastes e as diferenças e perceber que tudo existe de forma complementar. Yang e Yin. Não há melhor ou pior. Existem, isto sim, escolhas mais ou menos apropriadas.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

8 DE ESPADAS: as armadilhas da mente


 "Spider - Desafie sua Mente" é o nome de um filme de David Cronemberg e nele, um homem recém saído de uma instituição mental onde viveu desde a infância, pára, por conta própria de tomar a sua medicação e volta, assim, a reviver as lembranças de um terrível passado. A frase que define o enredo é a seguinte: “A pior coisa que pode haver além de perder a sua memória é voltar a encontrá-la.”

Nosso cérebro é onde processamos a realidade que vivemos, as sensações que temos, as emoções que experimentamos. Nossa mente trabalha continuamente colhendo, analisando, classificando informações de todos os tipos, vindas de todos os lugares, absorvidas pelos nossos sentidos. É um verdadeiro supercomputador e, como tal, também pode “travar”. Assim como alguns programas são “pesados” demais para determinadas máquinas, algumas estruturas mentais que criamos são muito difíceis de serem assimiladas ou vividas e acabam por se transformarem num vírus que se instala e dificulta a execução de todos os outros processos mentais.


Como qualquer outro vírus instalado num computador, esse também modifica a estrutura do nosso processador mental, alterando-lhe a capacidade de reconhecer a realidade, de exercer plenamente suas funções. Acabamos, vítimas de seus efeitos, tecendo, pensamento a pensamento, um véu que nos encobre, nublando nosso raciocínio lógico e a nossa capacidade de nos perceber e perceber, também o nosso ambiente, colorindo nossa existência com outros tons, muitas vezes mais sombrios.

Ficamos prisioneiros de uma ideia. Temos delírios de uma falsa realidade. Ficamos obcecados com uma única maneira de encarar os fatos; perdemos o controle nossos pensamentos, que acabam servindo unicamente aos nefandos propósitos desse “vírus”: nos atormentar, nos aprisionar em seus invisíveis e possantes fios. Ficamos, literalmente, imobilizados, com os “pés e mãos atados”, como dizemos popularmente. Além disso, um verdadeiro muro ergue-se rapidamente, impedindo que enxerguemos nada além que suas frias e soturnas paredes. Estamos ilhados, isolados, perdidos, presos dentro da pior das prisões que existe: nós mesmos.

Quando um 8 DE ESPADAS aparece numa leitura de tarot, sempre dependendo de sua localização no jogo e das outras cartas à sua volta, ele pode estar sugerindo que reavaliemos nossas verdades, nossos conceitos e preconceitos; pode estar sinalizando que nos tornamos dependentes da opinião alheia, inábeis de tomarmos nossas próprias decisões, preferindo ser conduzidos a nos conduzir. Pode, eventualmente, indicar um estado de doença que demanda repouso, quietude, isolamento. Em muitos casos, pode ser interpretado como arrogante teimosia, quando não queremos alterar nossa maneira de pensar ou agir, mesmo que ela não sejam racionalmente corretas. Pessoas que se deixam dominar pelo ciúme, ou se deixam fazer prisioneiras dos ciúmes de alguém, também são representadas pelo 8 de Espadas. A censura que infligimos ou sofremos, estão simbolizadas por essa carta.

Enfim, o 8 DE ESPADAS, numa leitura, é um sinal vermelho de que alguma coisa dentro de nós está querendo “travar”. É hora, então, de passar um “antivírus”, ou seja, refletir com calma, analisando cada aspecto isolado da situação e, depois, todo o conjunto de fatos. Ser claro e verdadeiro consigo mesmo. Não se autoiludir. Tirar a venda dos olhos e encarar a realidade à luz da razão. Como no arcano VIII, a JUSTIÇA, usar de frieza e lógicas absolutas para avaliar os fatos, sem cair na armadilha de ser tendencioso, esconder provas ou não querer ouvir testemunhas (opiniões de especialistas ou pessoas de confiança). Enfrentar os fatos pode ser muito doloroso, mas sempre será menos do que viver com medo, angustiado, escondendo-se do mundo ou de nós mesmos. 


Deveríamos sempre nos lembrar que o cérebro deveria ser utilizado para a solução de problemas e não a construção de dificuldades maiores.

ÁS DE OUROS: concretizar idéias



A própria ideia de riqueza é precisamente o significado do ÁS DE OUROS. Ele é o símbolo de todos os aspectos positivos dos aspectos materiais, que estão presentes em nossa vida e na própria energia do Universo. Cada novo dia é um presente da Criação. 


Esta carta representa a semente da prosperidade e dos ganhos materiais – talvez ainda não totalmente manifestos ou percebidos: é um Ás, um começo, um potencial. Um novo momento em que os seus sonhos estão prontos para se realizarem. A compreensão da necessidade de ser prático e entender a dinâmica do mundo natural. Estar tão desenvolvido espiritualmente que lhe permita reconhecer os milagres que a terra nos oferece, constante e abundantemente.



O ÁS DE OUROS indica riqueza e felicidade. A riqueza, todavia, não necessariamente precisa ter um valor monetário, econômico. Todos sabemos que os maiores presentes que a Vida nos oferece não podem ser comprados. Ainda assim, se tudo o que um dia lhe foi importante (vida amorosa ou estabilidade financeira) lhe for roubado, cortado, suprimido, arrasado, e você ainda tiver esperanças em voltar a gozar daqueles mesmos benefícios, prazeres, comodidades e alegrias, o aparecimento de um ÁS DE OUROS é uma promessa de que o que você deseja está a caminho. Pode levar algum tempo, mas vai acontecer, desde que você alimente essa possibilidade, essa semente com a sua dedicação, positivismo, cuidados, proteção, interesse, e trabalho.




Numa leitura de tarot, quase sempre o ÁS DE OUROS surge para indicar prosperidade, fertilidade, generosidade, os frutos do trabalho, prazeres materiais, novas oportunidades de negócios, uma descarga de energia voltada à criação de oportunidades materiais, habilidades manuais, visões criativas ou seja a materialização de ideias, ambição, trabalho, segurança, sucesso, ciência, produtividade, prazer sexual, aquisições de bens móveis e imóveis, presentes, boa sorte, possibilidade de ganhar no jogo (cuidado…), herança, documento, ótima saúde ou a sua recuperação, estabilidade, conforto, prosperidade, satisfação, reconhecimento e sucesso, prêmio merecido através do trabalho intenso, ajuda e dinheiro inesperados, promoção, reprodução e benefícios... ufa! Parece mais do que o suficiente, não é? 
Mas ainda tem mais umas coisinhas tipo o nascimento de um filho, um casamento feliz, a constituição de uma nova família, a mudança para uma nova casa, bairro, cidade, estado ou país, um novo emprego, uma nova posição dentro da empresa, um novo padrão de vida, integridade.




Assuma o trabalho necessário para desenvolvê-la e concretizá-la e realize-o com muito prazer e confiança pois o ÁS DE OUROS pode também indicar que estamos precisando incluir algo novo em nossas vidas. Ao invés de deixarmos as coisas continuarem como estão, esperando que elas melhorem no decorrer do tempo ou que se resolvam por si próprias, essa carta sugere que acrescentemos um novo tempero, um novo ingrediente à mistura. Necessita de ação, e ação física! O que será que poderia ser?

Talvez ingressar num curso de especialização, fazer umas aulas de dança de salão, aprender botânica ou jardinagem, ter aulas particulares de computação gráfica e acabar virando um expert no Photoshop. Ingressar num novo curso de línguas, fazer umas aulas de filosofia, comprar alguns livros novos (e lê-los!). Talvez, mais corriqueiramente, seja o momento certo para rearranjar a mobília, dando uma repaginada no visual da casa; ou fazer uma boa faxina nos armários e doar tudo aquilo que você tem ali acumulado e sem uso. Tirar o velho e abrir espaço para o novo. Isso não é só regra elementar de Feng Shui, mas é agir concretamente no desbloqueio do que possa estar acumulado, estratificado, e obsoleto para o desenvolvimento de novas possibilidades. É exatamente o que esta carta nos diz: você precisa preparar o terreno para que essa semente germine de forma saudável e a seu tempo. Se há algum bloqueio se interpondo entre as suas necessidades, os seus sonhos, é tempo de arregaçar as mangas e tirar esse tronco, essas pedras do caminho.


Finalmente, se há uma mensagem embutida quando um ÁS DE OUROS se apresenta, acredito possa ser a seguinte: use seus talentos, sua energia, suas habilidades, sua vontade para vivenciar as oportunidades na sua vida. Não importa se você está mais preocupado com assuntos materiais ou ideais mais filosóficos: a chave para a conquista de todos os seus tesouros esteve, está e estará sempre junto a você. Seja autoconfiante e aproveite esse imenso presente que o Universo lhe oferece!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

4 DE OUROS: a necessidade da prática do desapego


Já ouviu crianças brincando e uma delas dizendo: "Tudo meu!"? Pois é, essa é a essência do 4 DE OUROS, uma das cartas entre os Arcanos Menores do tarot e que faz referência ao aspecto material.
A gente vivencia a energia desse arcano quando nos sentimos poderosos, imbatíveis, os donos do mundo! É quando assumimos o nosso lado Imperador em seu melhor sentido: estável, competente, seguro, estruturado. Mas também podemos estar vivendo a sua "sombra": egoísta, prepotente, fechado em si mesmo, cheio de regras e normas pessoais, inseguro e controlador.


Como em quase todas as situações da vida onde o medo de perder o controle da situação ou de ser subtraído em seus bens materiais e emocionais ocorre, pode estar acontecendo um bloqueio de energia. O apego excessivo a qualquer coisa é o grande causador dos obstáculos que impomos ao fluxo dos benefícios que estamos aptos a receber e compartir.

Ter um bom e belo carro, mas que nunca é tirado da garagem por medo de sujá-lo, sofrer algum tipo de acidente, tê-lo roubado não é precaução, mas uma forma de apego da qual, nem mesmo o dono, tira proveito. Vemos isso repetir-se de maneiras bastante corriqueiras em nosso dia a dia, por exemplo quando, mesmo podendo, não nos permitimos ir a um bom restaurante, nos vestirmos com roupas confortáveis e de qualidade, não nos prestarmos a dar atenção e tempo a um amigo ou a um projeto assistencial. E, por favor, note bem: eu escrevi acima "mesmo podendo", isto é, quando os custos desses prazeres não irão interferir ou muito menos abalar a nossa estabilidade ou segurança.



O 4 DE OUROS pode significar que estamos num momento de reavaliar a nossa relação com nossos bens materiais. Que é chegado o momento de aprendermos que dinheiro é apenas algo abstrato, uma representação das coisas que nos dão subsistência ou que proporcionam mais prazer e beleza às nossas vidas. Não é sujo, pecaminoso, vergonhoso tê-lo ou não. O que importa é a maneira como o manipulamos e o valor que nós própios lhe atribuimos. Essa é a essência desta carta.

Como sempre, o caminho do meio é a opção mais recomendada: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Adquirí-lo merecidamente e usá-lo de maneira equilibrada, sem lampejos de prodigalidade ou de sovinice, em benefício próprio e dos outros é uma forma correta de lidar com a sua energia. Gente que tem muito medo de perder (dinheiro, tempo, status, poder, o amor e a atenção alheia, etc) também não prospera, pois não está exercitando criativamente essa energia. Também, por outro lado, aquele que acha que o Mundo vai-se acabar amanhã e que portanto dilapida patrimônios, não se doa a ninguém e a nenhuma causa, não tem ideais, está fadado a um futuro bastante inóspito, pois como diz o ditado: "dinheiro não aceita desaforo".


Quando o 4 DE OUROS sai numa tiragem, dependendo da sua posição, podeservir para nos lembrar que devemos praticar o desapego. Desapegar-se não é de forma alguma renunciar a algo que nos é importante, mas não ser escravo, não ser dependente desse algo.

Desapegar-se é reconhecer a impermanência de tudo o que vive. Nada é eterno e, ao contrário do que os faraós do Antigo Egito acreditavam, não adianta acumular pensando numa vida futura, pós-morte. Nada do que é material nos acompanhará quando este ciclo de existência se findar. 
Portanto, aproveitar e cuidar bem do que nos é materialmente aprazível é uma coisa. Ser doentiamente dependente desses mesmos bens, hipervalorizando a sua presença em nossas vidas, é outra, bem diferente.


Quando o 4 DE OUROS aparece numa leitura de tarot, o melhor conselho seria reavaliar a importância das posses, dos bens materiais em nossa vida e observar se o apego exagerado a um objeto, pessoa ou situação não seria decorrente de uma baixa-estima longamente cultivada. Devemos lembrar que o naipe de Ouros, ao qual essa carta pertence, diz respeito à matéria, ou seja, ao mundo físico, real, palpável e que para dele bem desfrutarmos não podemos nunca deixar a balança pender para um só lado. Há que se buscar a harmonia do Material com os outros 3 aspectos da nossa existência: o Racional, o Emocional e o Espiritual. 
Privilegiar um deles em detrimento dos demais é romper o equilíbrio que nos permite viver em paz, de maneira plena em comunhão com os demais seres que habitam este planeta, usufruindo do bem maior que possuímos: a própria Vida.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Usem Filtro Solar: conselhos para todos os ciclos da vida

  “Conselho (assim como a juventude) a ser provavelmente desperdiçado pelos os jovens” é o título de uma coluna publicada no dia 1º de Junho de 1997, no jornal norte-americano Chicago Tribune, pela jornalista Mary Schmich e que até hoje é um verdadeiro “hino” à consciência pessoal que cada um de nós deveria ter. 

Usando de muito bom humor e de uma metalinguagem, a autora sempre afirmou que, se algum dia fosse convidada a ser oradora ou paraninfo de uma turma de jovens estudantes, essas seriam as palavras que gostaria de dizer:

  Major05 (7)   
 “Dentro de cada indivíduo adulto esconde-se um orador de turma, um paraninfo, morrendo de vontade de se manifestar; algum tipo de “eu-sei-tudo” disposto a dar palpites na vida de jovens que preferiam estar, naquele momento, andando de patins.      Muitos de nós, aliás, nunca seremos convidados a semear nossas palavras de sabedoria em meio a um público de formandos, mas não há nenhuma razão que nos impeça de nos distrairmos escrevendo um “Guia para a Vida dos Graduandos”.
     “Eu encorajo qualquer um, acima de 26 anos, a experimentar fazer isso e agradeço a todos a gentileza de também permitirem que eu o faça. Portanto…

     Senhoras e Senhores, formandos da turma de 1997:

Usem filtro solar 

      
      Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, eu diria:
     ”Usem filtro solar”.
     O uso em longo prazo do filtro solar, foi cientificamente provado. Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência. 


   Major03 (7)   Eu lhe darei esse conselho:

      Desfrute do poder e da beleza da sua juventude.

      Oh, esqueça… Você só vai compreender o poder e a beleza quando já tiverem desaparecido. Mas acredite em mim. Dentro de vinte anos você olhará suas fotos e compreenderá de um jeito que você não pode compreender agora quantas possibilidades se abriram para você e o quão fabuloso você era… 
Você não é tão gordo quanto você imagina. 

   



     Swords09 (7)Não se preocupe com o futuro.
     Ou se preocupe, mas saiba que se preocupar é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida, são aqueles que nunca passaram pela sua mente, tipo aqueles que tomam conta da sua mente às 4 horas da tarde de uma terça-feira ociosa.

     Todos os dias faça alguma coisa que te assuste.  Cante.





Cups04 (7)

     Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável.

     Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação aos seus sentimentos.


     Relaxe.

   



  
Wands05 (7)    Não perca tempo com inveja. Às vezes você ganha, às vezes você perde. A corrida é longa, e no final, tem que contar só com você. 

     Lembre-se dos elogios que você recebe. Esqueça dos insultos.
     (Se você conseguir fazer isso, me diga como…)

     Guarde suas cartas de amor.
     Jogue fora seus velhos extratos bancários.

     Estique-se. 




    Wands01 (7)   
        Não tenha sentimento de culpa por não saber o que você quer fazer da sua vida.
        As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que eu conheço ainda não sabem.


       Tome bastante cálcio. Seja gentil com seus joelhos.
       Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.




    Coins02 (7)
        Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não.  
        Talvez você se divorcie aos 40.
        Talvez você dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento.

        O que você fizer, não se orgulhe, nem se critique demais.
        Todas as suas escolhas tem 50% de chance de dar certo. Como as escolhas de todos os demais.


   


Cups03 (7)   
      Curta seu corpo da maneira que puder.
      Use-o de todas as formas que puder.
      Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensam dele.
      Ele é o maior instrumento que você possuirá.
      Dance. Mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.
      Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga.  Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se sentir feio.




 
   Coins10 (7)      Saiba entender seus pais.
         Você não sabe a falta que você vai sentir deles quando eles forem embora pra valer.
         Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com o passado e aqueles que, no futuro, provavelmente nunca deixarão você na mão.
         Entenda que os amigos vão e vem, mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com muito carinho.
        Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e os obstáculos da vida, porque quanto mais você envelhece, tanto mais precisa das pessoas que te conheceram quando você era jovem.



        



        More em New York  pelo menos uma Swords06 (7)vez.

        Mas mude-se antes que ela te transforme em uma pessoa dura.

        More no Norte da Califórnia pelo menos uma vez.
        Mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole.

        Viaje.




    
 
Cups07 (7)   
     Aceite algumas verdades eternas:

     Os preços vão subir,
     os políticos são mulherengos e
     você também vai envelhecer. 
      E quando você envelhecer, você fantasiará que quando você era jovem:
     os preços eram razoáveis,
     os políticos eram nobres e
     as crianças respeitavam os mais velhos.



   
Coins05 (7)   
     Respeite as pessoas mais velhas.
     Não espere apoio de ninguém.
    Talvez você tenha um fundo de garantia.
     Talvez você tenha um cônjuge rico.
     Mas você nunca sabe quando um ou outro pode desaparecer.

     Não mexa muito em seu cabelo.
     Senão, quando tiver quarenta anos, vai ficar com a aparência de oitenta e cinco.




  

      Cups06 (7) Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos.
 
        Mas seja paciente com elas. 
        Conselho é uma forma de nostalgia.
        Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço muito maior do que realmente vale.

         Mas acredite em mim, quando eu falo do filtro solar.


image
Mary Schmich, 1997

Vídeo original desenvolvido pela DB9DDB, sem legendas e com a interpretação e locução em português de Edu Lima. Música e letra: Baz Luhrmann.
 
Considero esse texto uma grande oportunidade para reflexão e é exatamente por isso que resolvi “trabalhar” um pouquinho encima dele, associando algumas passagens às cartas do Tarot.

 Evidentemente não pretendo ser esse exercício uma forma definitiva de correlações imagéticas das cartas do tarot com o texto, até mesmo porque, entre fazê-lo e postá-lo, dezenas de outras possibilidades cruzaram minha mente.
  
 Aliás, imaginar é a essência do ato interpretativo do Tarot.